29 de fevereiro de 2012

Surreal


Uma sensação muito estranha, algo difícil de explicar, é como se um anjo acariciasse  minha alma e meu coração quisesse voar… De repente, uma invasão de silêncio, como se os pássaros deixassem de cantar, o vento que revolvia meus cabelos, por um instante, deixou de soprar. Em verdade não tinha muito claro se estava sonhando ou se era realidade. Quanto tempo durou o feitiço, um segundo, uma eternidade? Só sei que alucinaram meus sentidos, o dia que meus olhos, conheceram teu olhar.
Por. Bell.B

Preciso Ir

Eu tenho que ir...Verás que passará num instante e daqui a segundos não mais notara a minha ausência e tão logo, de volta, já estarei aqui. Vou lhe cortejar com um doce beijo no rosto, você segurara a minha mão e ficaremos mais um pouco por ali.

Até já... Tenho um horário a respeitar, normas a cumprir e algumas satisfações a dar.
Volto em breve... Olá! Aposto que nem notou, que por algumas horas eu não estive aqui. Talvez você estivesse ocupado demais pra perceber que quando me despedi a minha maior vontade era ficar.


Dê-me um minuto... Vou aos afazeres. Tenho que preparar o jantar, por a mesa, tomar banho e logo te chamo pra deitar. E passaram mais de 2 ou 3 horas e quando eu vier lhe buscar, irá me sorrir sem perceber que estive por tanto tempo ausente, desejando correndo voltar. E estas horas passaram por você tão despercebidamente que não terá pra ti a mesma falta que anseio recuperar. 


Eu vou indo... Assim como todos vão. Seguimos sempre novos rumos, procuramos sempre nova direção. Mas no meio do caminho, vou olhar pra trás, vou ver aumentando entre a gente um espaço cumprido demais, este que me causara certo desconforto, que me deixara com o corpo estranho, que confundirá a minha visão.


E eu vou voltar, vou me aproximar de você e tocar sua face sentindo o mesmo espaço estranho sem nome, que quando longe de você, incomodava-me o sentir. O ar vai atravessar meus pulmões como uma lança de dois gumes e não vou conseguir respirar, meus olhos se congelaram fixos aos teus e será inevitável o disparar do coração. Minhas mãos ficaram geladas e a única certeza que terei ao te ver de perto, é que não mudam as sensações que sua presença me causa.


Eu preciso ir... Não vou demorar. Até já! Prometo voltar em breve, mas dê-me só mais um minuto aqui, porque eu sempre vou indo, estou sempre saindo por não suportar ficar. Mas sempre que penso em você... a necessidade é maior e acabo tendo que voltar.
Por. Bell.B

Salva-me


Salva-me do ódio sufocado no peito,
Livra-me da pobreza de sentimentos,
Apague de vez, essa mágoa que me dá rancor.

Salva-me do sofrimento,
Livra-me do seu desprezo,
Acabe de vez com essa dor.

Salva-me dos meus pensamentos macabros,
Livra-me da vontade de ver o pulso rasgado,
Resgata meu coração do terror.

Salva-me dessa situação sofredora,
Livra-me da rotina devastadora,
Liberte minha alma do purgatório do horror.

Salva-me de mim mesma,
Livra-me de você,
E se não sou o que você tanto anseia,
Permita-me encontrar um novo amor.

Ouça tudo que tenho a dizer sobre nós,
Cuspa tudo que sufoca sua garganta.
Fale-me tudo com sinceridade 
Ainda que me cause dor.

E depois que colocarmos tudo às claras,
Decidiremos nossas vidas.
Só não me faça seguir essa estrada sozinha,
Vivendo um falso amor.
Por. Bell.B

Réu


Este rabisco foi um desabafo, um grito de socorro abafado, sufocado, entalado na garganta. Lembro-me como se fosse hoje o momento que o escrevi. Encontrava-me aos prantos e completamente perdida neste dia (21/10/95). E hoje ao encontrar um velho diário, não hesitei um momento sequer em passá-lo pra cá.


Por que não pego o telefone e não te ligo?
Por que não acabo logo com isso?
Por que permito que me magoe e me fira com suas ironias e perguntas sem sentido?

Deveria eu perturbar seu sono com um telefonema.
Já que há meses me rouba o sono com sua ausência.

Deveria sim te ligar e cobrar minha adolescência perdida,
 fazendo você perceber que a sua volta ainda existem vidas.

O tempo passa e daqui não levamos nada.
É preciso construir bens e firmar-se ao chão.
Mais nada disso tem valor se for construído com dores de um coração.

Pois comemorar sozinho, não tem a menor graça e quando você se der conta perceberá que terá trocado seus filhos, amigos, sua família por algo que pode não ter tanto valor assim. E poderá ser tarde pra ganhar o perdão daqueles que por puro capricho você deixou pra trás. Não posso julgá-lo pelo que nos fez passar, pois talvez você nem saiba o quanto sua partida nos fez sofrer, me fez chorar. Talvez você nem tenha notado a falta que nos fez.

Hoje seu maior aliado é o Presente e certamente ele será seu maior parceiro no Futuro. E se hoje nós somos incômodos no seu Presente... No futuro, suas decisões serão nosso Passado. E se até lá, fomos apenas lembranças... Reze pra que em seu Futuro eu seja no mínimo sua Esperança.
Por. Bell.B



Tudo Em Mim é Saudade


Estava aqui pensando, como se isso fosse de fato “novidade”. Fico tentando lembrar de quem eu era antes de te conhecer... Não me lembro, na verdade eu nem quero saber. Porque eu fico absurdamente pasma com essa minha cara de adolescente apaixonada, com os meus olhos marejando felicidade, com os meus suspiros literalmente altos... Eu suspiro, eu respiro, eu riu de tudo, eu acho graça do vento embaraçando meus cabelos, eu vejo vida nas folhas secas que correm por entre a pista e o guardirreio. Passei muitas horas contando os minutos e sem piedade as horas passavam lentamente, elas riam pra mim, dançavam como bailarinas, tranquilas, calmas eu ali, pedido pressa, querendo pular os ponteiros como uma acrobata, competindo com o tempo, devorando unhas, mexendo o tempo todo no cabelo... (respiro fundo) longe de ti tudo em mim é saudade...


... Nossa, quantas vezes me olhei no espelho e não fui capaz de me enxergar. O coração acelera, as mãos suam geladas, falta-me ar. O que faço com esse órgão que pulsa aqui dentro? Resta-me então chorar mais uma vez, mas desta vez, um choro gostoso, não como outros tantos. Um choro bordado em sorrisos, todo esculpido de vontades tuas. Tecido em tramas inacabáveis e sem pontas, todo facetado do que por ti, eu sinto, ai... (sinto e sinto tanto). Agora eu sangro, e forma-se entre meus seios uma poça, não... Não estou morrendo, estou operando uma transfusão, entenda meu amor... eu te VIVO e sem ti acabo morrendo. Então preciso expelir  da memória nossos momentos, trazendo-te pra mim, e me tendo de volta. Eu me renovo, e respiro, eu choro aquele choro, te sinto. Estou viva mais uma vez, outra vez salvaste-me a vida. Atravessou-me as veias, alcançou-me o coração. Habitou teu canto, tranqüilizou minha saudade, trouxe-me de volta a vida. 
Por. Bell.B

Agora


Estou aqui pra “filosofar” como de costume, tentarei ser breve... (difícil)

Saudade é algo que me incomoda muito, tanto que nem sei, sei que dói em ti também e é tão frustrante não poder ter em mãos uma fórmula pra acabar com essa palavrinha portadora de tantos sentimentos. Me pego pensando “que diabo de Fada meia boca que sou” Nem conseguido “conjurar magias”, enfim... faz parte né! Quero dizer que ter conhecido você, ter partilhado meus dias, ter estado com você, foi o melhor que pude ter em todo a minha vida, vou passar algumas encarnações em débito com o Divino, pois não há valores nem tesouros que possam pagar o que é ter por perto alguém como você.


Sei que juntos, experimentamos coisas inacreditáveis e separados ainda mais, as coisas parecem nunca ter um ponto entre nós, e isso de certa forma, me faz sentir ainda mais feliz. É estranho dizer isso, porque normalmente às pessoas ou esquecem, abstraem ou simplesmente deixam pra lá. O que faz de tudo, apenas um foi. E eu me perco nas emoções quando paro pra rever, relembrar, pensar, porque as conjunções verbais “em tempo passado” não cabem no que lhe tenho, então eu choro, dou  outra sorrio, porque quando penso em você, não é “ontem” e sim agora. Porque quando penso, não é em “foi” é “é”. Porque quando sinto é exatamente assim “sinto”. Então é sempre nesse momento, por hoje, e pra sempre dentro do sempre AGORA.
Por. Bell.B

Promete?


Eu preciso que você prometa estar sempre aqui (em mim), mesmo que seja só em pensamento. Prometa nunca desistir da gente, nunca desistir do nosso amor, da nossa história? E mesmo que aja brigas, de vez em quando uns (nunca mais, me esqueça, acabou) nunca desista de me amar. Prometa nunca desistir de tudo aquilo que um dia, juntos a gente sonhou? Prometa não romper o juramento feito com o olhar, que nunca deixara de crer, naquilo que fizemos um no outro acreditar? Prometa, que se acontecer (o fim, o não dá, o foi bom) "o sempre permanecerá" a memória não se dissipara, os sonhos serão nossos portais! Prometa que na minha falta, serás a busca? Que na minha ausência, serás saudade! Que na minha partida, serei eu a bater em teu peito e dar-te forças pra manter a caminhada e encarar a vida.... Promete? Prometa que não me fará promessas, mas cumprira com todas as tua juras secretas, aquelas que em prece sem contar a ninguém, você fez. Aquelas que você expôs ao teu íntimo e que não foi capaz de ocultar de tua alma. Aquela que tu disse “em sussurros” enquanto me olhava dormir, achando não estar emitindo som algum... “É INFINITO”.
Por. Bell.B

Não Quero Saber


Não sei o que há de errado comigo, também não faço questão de saber. Sei que tudo que venho sentindo, motiva-me a ir à você. Não devo fazer o que não quero que me façam, mas entendo ao conversar com meu coração, que desta vez, não posso exitar. A lógica diz: - é arriscado, pare, não! Mas sinto certo descontrole e desprezo essa perturbadora inquietação. Não posso desistir disso. Não vou! Vi em teus olhos o caminho e se pra chegar até onde preciso, tenho que abrir mão de tudo que tenho, o farei. Essa a solução para encontrar o paraíso? Então solto agora, tudo que tenho, pra segurar apenas a tua mão.
Por. Bell.B


Na Tua Ausência


Sem tua boca... falta-me ar.
Sem teu sorriso... me resta chorar.
Sem seus olhos... não há o que olhar.
Se você não inspira... pra que perfume usar?

Na tua ausência

Coração pulsa na incerteza.
Saudade caminha na dor.
As noites são mais frias...
... o sol não tem calor.

Na tua ausência

Minha maturidade retrocede.
As palavras se perdem.
Não mais consigo discernir...
... AMOR.

Na tua ausência

O tempo não passa.
A certeza é abstrata.
A angustia domina meu saber.

Na tua ausência

Sem sentido...
Sem rumo...
E o que sinto é mais do que posso suportar...
...Vazio.
Por. Bell.B


24 de fevereiro de 2012

Trago pedaços de ti colados ao meu corpo, e jorros do teu sangue ardente, a correr pelas minhas veias como se entre nós dois, houvesse um duto vivente. Trago a chama dos teus olhos a perseguir-me por todos os lugares que passo, até onde a luz ignora as pálpebras fechadas, atravessando-as e obrigando-me a enxergar que se não for contigo, não adianta caminhar. Lá onde não consigo calar, lá, onde a mentira não encontra lugar e a verdade se faz falar. Lá onde confesso, falta-me tu, falta-me o ar, mata-me, mata-me, mata-me, esta inesgotável fome de amar-te. Lá, onde em sonhos desperto, devoro-te com garras e dentes. Apenas lá, onde nada consegue me amordaçar, nem me vendar, apenas lá, onde depois de me libertar, cubro-me com os lençóis da luxuria e exponho tudo que me motiva a continuar. Lá, só lá, somos só você eu e nada nem ninguém pode nos silenciar.
Por. Bell.B

Tocar


Da lágrima que desce por minha face na hora do ato,
Sobe pelas paredes a loucura do fato.

Da vontade que ateia fogo em meus lençóis,
O tocar descontrolado.

Da cegueira que acusa-me a vontade, a invasão da
Luz dos teus olhos á olhar-me.

Da loucura diária que me domina,
A vontade de ser mais que fantasia.

Da essência dos movimentos,
Do teu cheiro em meus travesseiros,
Da sua pele a transpirar em mim,

Na cumplicidade do querer...

A emoção do chamar.
A satisfação do saciar.
A junção dos despudorados.

Da vontade, o desejar
Do querer-te, o pensar
Do sentir o chorar
Do precisar, o querer

Pra ter-te...
... tocar-me.
Por. Bell.B

E No Fim


No fim dos meus dias, quando eu olhar pra trás e ver 
o quanto errei por fazer coisas das quais eu sabia que 
não estavam corretas, o quanto me equivoquei por agir 
na maioria das vezes por impulso, tendo a certeza de que 
se eu tivesse pensado, talvez pudesse ter acontecido de 
uma forma menos dolosa e mais produtiva e de quantas 
inúmeras vezes eu machuquei pessoas por dizer 
EXATAMENTE o que me veio a MENTE.

Certamente eu irei pensar levando a mão sobre o rosto...

Todas as vezes que errei... foi tentando ACERTAR!
Todas as vezes que fui impulsionada a cometer uma 
insanidade ou agir de forma não tão esperada... 
... foi tentando mostrar que não tenho medo de falhar 
e que acima de qualquer coisa, sou capaz de TENTAR!

E todas as vezes que disse algo, que fui expressiva ao extremo 
e que não ponderei palavras, foi certamente pensando com toda 
e pura certeza de que sou mil vezes magoar mostrando-te quem 
realmente sou do que iludindo-te sendo quem você gostaria que eu pudesse ser.
Por. Bell.B

Só Ele Sabe


Sentada no beiral da porta com a cabeça recostada ao batente, pensava...

“Nas aflições que vem passando, nas lutas que segue travando, nos dias de aflição, nas noites inquietas e mal dormidas por pensar em tudo que o novo dia há de lhe trazer”. 
Suspirava olhando pro céu, buscando de baixo, aquele que lhe olha lá de cima, e entre uma lágrima e outra de desespero, não notava o sorriso inconsciente que bordava sua face, ao sentir a presença do Espírito Santo e mesmo sem vê-lo sabia que ele estava ali, ciente de suas agonias. 

Ás vezes você se revolta contra o mundo, entende que é próximo o momento de entregar os pontos e sente que assim como o corpo, tua alma também não mais tem força. Mas inacreditavelmente você continua seguindo, levantando e tendo forças pra continuar o caminho e se surpreende com a determinação e garra que tem.

“Não... você realmente não conseguiria sozinho, você definitivamente não teria como lutar sem a força do Espírito.” 

E se nesta hora, parasse pra entender os porque’s de tua vida, certamente saberias que se tu levantas “é a mão de Deus que lhe ergue”. Se ganhas, com certeza o “Pai” viu em ti o merecimento da recompensa e ao invés de criticar, revoltar-se e lamentar tudo que perdeu, agradeça! Porque só Ele sabe, só ele tem certeza do que você deve ter, do que você deve perder e se muitas vezes as perdas lhe fazem sucumbir entenda que ele sabe o que faz e se pra se encontrar, se pra valorizar, se pra aprender a dar valor é preciso sofrer, que assim seja. Nós temos a infeliz mania de acharmos que PODEMOS tudo, que SABEMOS tudo, que não merecemos SOFRER por estarmos lutando, batalhando por um bem maior, que muitas vezes só é MAIOR pra cada um de nós. Entendemos muito pouco sobre o que é de fato IMPORTANTE pra sermos um “Ser” melhor. Pois só quem sabe o que é melhor pra nós, é aquele que nos olha de cima, esperando que os nossos olhos de ganância e cobiça, possam só e apenas enxergar Ele, que nada quer de nós senão que saibamos a IMPORTÂNCIA da sua presença em nossas VIDAS.
Por. Bell.B

23 de fevereiro de 2012

Maria Flor

Deitei-me cedo, levantei, deitei, resolvi logar... entrei em um cantinho e entre algumas coisas maravilhosas que li, recebi este texto. Me apaixonei! Vou dividi-lo com vocês, afinal... acredito que todas nós, somos um pouco "Maria Flor".

De vestido branco e olhos castanhos. Essa era Maria, poderia ser mais uma Maria entre tantas, poderia ser Maria Ana, Maria Clara, Maria Catarina, mas não, ela era Flor. Maria Flor! De flor no cabelo e sorriso no rosto, aquele sorriso largo e de cachos que faziam festa por entre seus dedos. Maria, Maria flor, tinha em suas mãos homens de todas as cores, tons, dons, cleros e crenças, mas nenhum era quem esperava e quem esperava ainda não tinha nome ou sobrenome, não tinha jeito ou trejeito. Ele ainda não havia chegado, dizia ela que ele estava atrasado, o relógio já havia dado mais de mil voltas, talvez tivesse se perdido no caminho para casa, mas não importava esperava com aquele sorriso que deixava qualquer homem sem o rumo de casa. Ah Morena Maria Flor, como morreriam por sequer no seu sonho estar, da sua pele desfrutar cada centímetro, cada traço, cada pinta, cada volta. Maria, que só pode ter saído dos textos de Vinicius, de Chico, de Caymmi, de Caetano, de José e João, como se fosse uma escultura de José Rodrigues e ainda mais, dizem que ela pode ter saído dos poemas de Neruda e se fosse bem verdade, ninguém iria se impressionar. Como era bonito vê-la a rodar a barra da saia, dando aquelas gargalhadas que com a música trazia uma sensação de que o mundo tava rodando rápido e bem devagar ao mesmo tempo.Maria Flor, de flor no cabelo, sorriso no rosto e coração guardado no tempo.

17 de fevereiro de 2012

Quatro Elementos


Tão sagrada Terra minha, esta que firmo alicerces e tento construir minha vida Esta Terra que deixo, onde deixo a dor que tive e se por ventura, ela vier a me permitir, quando eu partir, certamente levarei o amor que aqui conheci, construí e acreditei viver. E quando eu enfim der meu último suspiro será então, dentro de mim, este amor... livre.


E suspensa no ar, que agora não mais respiro, as imagens que vi, passaram em flash’s na minha frente e somaram-se a todas as experiências que acumulei ao longo desta minha vida. Sendo sempre eu mesma, senhora de mim e de minhas vontades, não... não serei mais, suspeita de ter esperado que o mistério da vida se desenvolvesse em mim, pois enquanto esperava o milagre, respirava esperança, esta que não mais... reside em mim.


E será tão certo como dois e dois são quatro, que haverá meu corpo de ser tomado por este fogo que me invade a alma, que me deixa em brasas, que atiça-me, inflama-me e como a paixão que tudo devasta, começa com uma faísca e sem controle se alastra, devora e no fim... apaga-se.


E tentando livrar-me dos medos que tenho, e pra me proteger das coisas que temo e pra livrar-me do que não conheço, escapar dos sentimentos que não entendo, eu pararei e sem receios hei de mergulhar em mim.
Por. Bell.B

Vou


Vou lhe dizer Adeus com a certeza de que no fundo, o que mais desejo é ficar. Vou seguir meu caminho a passos mansos, pedindo a Deus que o faça sentir minha ausência. Vou implorar, vou suplicar ao que me acompanha lá de cima, que tu corras e me impeça de partir.


Eu vou indo devagar, sem olhar pra trás, desejando recomeçar. Estou saindo sem fazer barulho, sem alardes, sem dizer nada, pra que você escute no silêncio o barulho da minha falta, esta mesma falta, que levo de ti...


Vou porque entendo que não posso mais ficar. Vou porque percebo que não consigo mais agradar. Vou porque se fico, é o mesmo que não estar. Vou porque se não te tenho num todo, prefiro nem te encontrar.


Estou indo, não levarei nada, além de ti. As roupas estão no armário, os perfumes na penteadeira, até aquela sandália que adoro ficou. Estou saindo sem bagagens, somente com a roupa do corpo. Não carregarei nada... Além dos sentimentos que plantastes em mim. Eu vou indo, preciso ir. E saio pedindo a Deus, que sintas falta de mim.
Por. Bell.B

Cego Mudo Surdo


Apetece-me entrar mar adentro e fechar os olhos... sentir o tacto do luar a bater em mim, calar-me em desassossego e acordar pela manhã estendida sobre a areia, imaginando palcos e cenários invisíveis e viver o sonho doce e calmo que só o vai e vem do mar poderia me ajudar a construir.


Calem-se as vozes, as teclas e o murmúrio solto por entre o tempo, que se faz sentido em um momento que não era só e todo meu. E que se silenciem por hora todos os sons do mundo, pra que nada a nossa volta seja mais encantador do que o tom das notas, nascidas das ondas e do vento, e assim seja feito o encontro cego, mudo e surdo dos sentidos e que nada mais tenha sentindo algum além dos olhos mirados, os corações descompassados e a vontade de haver nesta terra... Somente você e eu.
Por. Bell.B

15 de fevereiro de 2012

Entenda



Eu já lhe fiz mil canções, 
te mostrei mil razões,
e você não me entendeu.

Já corri de encontro ao nada,
fiz da minha vida sua estrada.
Mas você não percebeu.

Pelo menos desta vez,
preste atenção no que lhe digo.
Minha alma é pela sua vida,
e meu coração, pulsa pelo seu.

Minha carne não tem calor,
sem o peso do seu amor.
Meus lábios não sentem sabor,
sem o gosto dos seus beijos.

Nada faz sentido,
sem suas palavras ao meu ouvido.
Nada mais tem graça,
se você não mais me abraça.

A música não tem ritmo,
se seu corpo não bailar comigo.
Fazer amor é apenas sexo,
se o prazer não for contigo.

Então ao menos desta vez,
escute o que lhe digo.
Sem você... 
... Minha vida não faz sentido!
Por. Bell.B

Metades


Ficava ali horas, e mais horas, e por saber de cor o que ali continha, muitas vezes nem sequer o livro ela abria. Acariciava com a pontinha do polegar a capa, outras contornava o “titulo” dando sempre uma pausa maior, “sempre” nas letras (do nome dele). E então acontecia outra, das tantas coisas que ele, dela, roubará. Aquele sorriso bobo, faceiro, esculpido em sua face, e ainda que casual, era tão perfeito. E não era perfeito por estar carregando alegria, prazer, nem tampouco, satisfação, não! Era perfeito por ter junto a ele, dentes alinhados, um contorno de lábios invejado, não... não por isso. Era um sorriso perfeito, porque era um “sorrir” invertido, um sorriso puro, sem malicia, ele olhava pra ela e ela apenas com a alma lhe sorria. E entre tantas sensações, ela já tão distraída, tropeçava, caía, e rindo, levantava, e mais uma vez, entrava pra lista dele, as coisas “bobas” que dela ele roubava. Ela não se concentrava em nada, ela não tinha mais o discernimento das palavras (logo ela, ela que usava disso, como uma arma), logo ela, ardilosa, meticulosa, desarmada. Ele a despia de tudo, ele não temia que o mundo a visse “nua”, “crua”, PURA! Era por aquela parte dela, que a metade dele, apaixonara-se. A parte dela que não jogava, que perdia a linha, que ela não dominava. A metade dela totalmente sem juízo, tímida, sem noção, algumas vezes até “mal-educada”, a parte que nem sempre recitava versos ou cantava, a parte que ela guardava do mundo, por acreditar ser sensível demais, doce demais, indefesa demais, mas que ainda assim, ele, dela roubará. A parte Dela que completou a metade Dele e que nada, nada nem da TERRA nem do CÉU... SEPARA!
Por. Bell.B

10 de fevereiro de 2012

Tantas


Eu poderia enviar somente este texto, mas ele me arremete a tantos sentimentos que vai ele e o meu.

Eu perdi as contas de quantas “tantas” vezes já te escrevi e por um motivo qualquer não te enviei. Não sei dizer com propriedade quantas "tantas" vezes, leio nossas conversas, repasso nossas histórias, assisto aquele mesmo filme, releio aquele mesmo livro. Já faz algum tempo (tempo pra caralho). Tenho engolido as perguntas que quero te fazer a meses. Se esta tudo bem, se tem comido, se ficou doente, se tem bebido demais, se tem saído, se conheceu novas pessoas...?  Esse monte de perguntas bobas e que me fazem perder o sono. Tenho ficado parada atrás de postes e árvores e quando te vejo chegar ou sair (me encolho, me recolho, me escondo). Nesta hora penso (infantil, ridícula, patética. cresce) mas continuo ali, te olhando de longe. Muitas vezes te perco de vista, e nesses momentos, respiro tão de vagar que o ar parece não entrar. Então suspiro, deixo o choro chegar e fazer sua vez, numa daquelas tentativas frustradas de lavar minha alma. Estou aqui digitando sem parar como tenho feito todos esses anos (é... isso não mudou não) só tem piorado. É rabisco pra todo lado. Falo, grito, esperneio e quando termino tudo “apago”. Que porra do caralho. Cadê minha força, minha confiança, cadê aquela mulher fatal, poderosa, cheia de Ases na manga da camisa branca? Cadê? Eu balanço a cabeça, tento reordenar as idéias e juro todos os dias ser a ultima noite passada em claro. (sou péssima em cumprir promessas) Mais uma noite, outro dia e eu continuo aqui, no mesmo lugar de sempre, fazendo as mesmas e repetitivas coisas... Só que de uma forma diferente. E porra! É tão diferente. Eu canto, eu recito, eu declaro poesias e não importa quem as ouça, quem as elogiem, nunca pareço estar satisfeita. Porque a sensação que tenho, é de que estou sempre vazia (estou vazia). Eu li um texto dia desses (Quase, de Tati Bernardi) acho que pra tentar não me sentir louca, acho que pra tentar achar saída, pra ter de alguma maneira, respostas de perguntas que sequer foram feitas. E sempre acabo na mesma. Escrevendo pra você, cantando pra você, respirando seu silêncio como se isso fosse o suficiente pra me ajudar a seguir. Eu estava evitando certos lugares, rejeitando alguns convites, me isolei de tanta coisa, depositando fé, que isso me ajudaria a esquecer. Mas como esquecer algo que não sou capaz de parar de pensar? Estou agora mastigando meu orgulho, assumindo os meus erros, expondo minhas, falhas pra lhe dizer que sinto sua falta, sinto demais. Sinto uma puta falta de tudo que éramos, que poderíamos ser. Sinto falta do seu sorriso doce, dos seus olhos mirados no meu, da sua expressão séria. Sinto falta do timbre firme quando o assunto era sério, e daquele sorriso que escapava quando eu falava qualquer bobagem que te fazia sair da pauta. Eu sinto falta até de quando demorava a chegar e me fazia sentir falta. (Eu to ficando maluca). Hoje eu decidi que estes rabiscos eu não vou apagar, e não importa se vai ler ou não, esta eu vou te mandar. Porque isso tem me sufocado. Tenho feito isso por 5 meses. Mas hoje não! Hoje tomei coragem, hoje expulsei o ego, a prepotência e decidi que preciso dizer o que estou sentindo, porque posso não ter outra chance e antes a raiva do feito do que o remorso de não ter sequer tentadoÉ... eu não deixei de pensar em você um dia sequer. Eu não deixei de te olhar, de falar com você, mesmo falando sozinha. Eu não consegui superar, deixar passar, esquecer. Eu queria poder ter resumido e confesso que há muito mais que queria te contar, mas alguma coisa aqui ainda insiste em ficar cochichando em meu ouvido (ele não vai ler, você não terá respostas) Bom. Eu dei um tapão no diabinho que estava falando isso e deixei-me ser conduzida pelo anjinho que não fala muito, mas que sorri a cada próxima linha que digito. Eu só queria te contar que quando olho pro céu de noite, posso te ver pensativo com a mão apoiada sobre a barriga e um cigarro meia vida com uma ponta de cinza por cair. Que quando estou encostada na pia lavando a louça, ainda escuto o barulho da chave na porta. Queria te contar que ainda sento a bunda na areia da praia e faço o mesmo juramento olhando pro mar. Eu só queria te dizer que nos dias em que chove e o céu parece cair, eu escuto nossas músicas, e meu coração se aquieta num momento de nostalgia e paz que não sei explicar. Eu só queria te dizer que embora tudo pareça diferente, em mim permanece tudo igual. Espero que nada que eu diga aqui, atrapalhe sua vida. Eu só precisava te contar que independente de qualquer coisa, é ainda, bom demais te amar.
Por. Bell.B

Quase


Eu quase consegui abraçar alguém semana passada. Por um milésimo de segundo eu fechei os olhos e senti meu peito esvaziado-se de você. Foi realmente quase. Acho que estou andando pra frente. 


Ontem ri tanto no jantar, tanto que quase fui feliz de novo. Ouvi uma história muito engraçada sobre uma diretora de criação maluca que fez os funcionários irem trabalhar de pijama. Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo. Hoje uma pessoa disse que está apaixonada por mim. Quem diria? Alguém gosta de mim. E o mais louco de tudo nem é isso. O mais louco de tudo é que eu também acho que gosto dele. Quase consigo me animar com essa história, mas me animar ou gostar de alguém me lembra você. E fico triste novamente. Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias. Chorar deixou de ser uma necessidade e virou apenas uma iminência. Sofrer deixou de ser algo maior do que eu e passou a ser um pontinho ali, no mesmo lugar, incomodando a cada segundo, me lembrando o tempo todo que aquele pontinho é um resto, um quase não pontinho. Você, que já foi tudo e mais um pouco, é agora um quase. Um quase que não me deixa ser inteira em nada, plena em nada, tranquila em nada, feliz em nada. Todos os dias eu quase te ligo, eu quase consigo ser leve e te dizer: “Ei, não quer conhecer minha casa nova?”. Eu quase consigo te tratar como nada. Mas aí quase desisto de tudo, quase ignoro tudo, quase consigo, sem nenhuma ansiedade, terminar o dia tendo a certeza de que é só mais um dia com um restinho de quase e que um restinho de quase, uma hora, se Deus quiser, vira nada. Mas não vira nada nunca. Eu quase consegui te amar exatamente como você era, quase. E é justamente por eu nunca ter sido inteira pra você que meu fim de amor também não consegue ser inteiro…Eu quase não te amo mais, eu quase não te odeio, eu quase não odeio aquela foto com aquelas garotas, eu quase não morro com a sua presença, eu quase não escrevo esse texto. O problema é que todo o resto de mim que sobra, tirando o que quase sou, não sei quem é!
Por. Tati Bernardi

9 de fevereiro de 2012

Ele Nem Sabe


Ele não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos, mas que tenho estado quieta, calada, concentrada numa vida prática e sem aquela necessidade toda de ser amada. Ele não sabe quantos livros pude ler em algumas semanas. Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos. Ele não sabe que a cada dia eu penso menos nele, mas que conservo alguma curiosidade em saber se o seu coração está mais tranqüilo, se seu cabelo mudou, se o seu olhar continua inquieto.

Ele nem imagina quanta coisa pude planejar durante esses dias todos e como me isolei pra tentar organizar todos os meus projetos. Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desvencilhei da minha vida social intensa. Que tenho sentido mais sono e ainda assim, dormido pouco. Que tenho escrito mais no meu caderno de sonhos. Que aqui faz tanto frio, ele não sabe por mim. Ele não sabe que eu nunca mais me atentei pra saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre.

Ele não sabe que eu entendi que se eu resolver a minha dor, ainda assim, poderei criar através da dor alheia sem precisar sofrer junto pra conceber um poema de cura. Hoje foi um dia em que percebi quanta coisa em mim mudou e ele não sabe sobre nada disso. Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha. Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: Ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria.
Por. Marla de Queiroz

Bem Aqui




Aqui amor... (em meu peito) Guardo tudo de mais valioso que tenho.
Aqui amor... (em minha mente) Registrei tudo de melhor que vivi. Aqui amor... (em meus olhos) Escondi do mundo o que só você foi capaz de traduzir, e nada, ninguém pode tirar isso de mim.


Ali amor... (no espelho) Eu vejo o que olhar nenhum poderá ver, eu vejo sonhos dançando com a Lua, eu vejo o Mar dando as mãos pro Céu, eu vejo duas pessoas que não fazem idéia de como é o mundo la fora, porém nem querem saber, elas não precisam do mundo. Eles são parte um do outro. Se  expandem no universo, apenas com o sorriso um do outro, porque tendo um ao outro nada mais é preciso. Eles se completam, tanto quanto se precisam.


Por. Bell.B

7 de fevereiro de 2012

Certeza


São tantas as coisas que desejo, tantos sonhos, tantas vontades, tantas verdades descontroladas que preciso relatar, mas não me cabem verbos, sujeitos, sinônimos. Assim que ensaio, que treino, te olho, e eu não consigo executar um som sequer. A voz cala, o pensamento paira, os sentidos se descontrolam, perco o rumo. Simples assim... Assim como não saber descrever teu sorriso, assim como não saber interpretar teu silêncio gritante, assim como sentir-te em minha pele, sem ser capaz de descrever com perfeição o que seu tato me causa. Transtornos, Compulsões, Tormentas... Vício!


Preciso entorpecer-me das tuas vontades, careço das tuas manias, minha gula implora tua fome, necessito desesperadamente do teu suor combinado a minha saliva. Simples assim... Assim como fazer do meu calor o manto que te aquece, assim como ocultar teus desejos mais impuros dentro do meu âmago quente, assim como fazer de minha alma a casa da tua carne candente. Fixação, Descontrole, Obsessão... Insanidade!


Completamente fora de controle, inexplicavelmente além do imaginável, inacreditavelmente fatídico. Simples assim... Assim como não conseguir ver o começo do oceano, assim como não ser capaz de calcular as estrelas, assim como olhar em teus olhos e ver neles o Infinito de possibilidades que jamais, Ser algum foi capaz de imaginar. Certeza!


Reflete em meus olhos a verdade das tuas retinas, ecoa em meu peito as tuas batidas cardíacas, se faz verdade em meus lábios selados, todas as palavras que em silêncio, profetizas. Simples assim... Como te ver chegar e saber exatamente pra onde é que quero ir. Simples como teria sido, se eu tivesse lhe dito tudo... antes de vê-lo partir.
Por. Bell.B

Olho do Furacão


Falaram por ai que o Tempo dissolve que ele apaga, que ele destrói, disseram que o Tempo quando de mãos dadas com a Distancia, cria forças, e assim como um Furacão, destrói, arruína, acaba com tudo impiedosamente.


Estou eu “aqui” sentada no olho do Furacão.


Sou um grão minúsculo, sou quase imperceptível diante do que ele arrasta, e ainda assim, contudo, estou imóvel, a minha volta está em ruínas, tudo parece estar acabando, ele é forte, ele é mesmo poderoso. Mas eu continuo aqui, sem compreender o caos, sem entender o tormento, porque nada pode ser mais assustador lá fora, do que o que sinto “aqui dentro”. A Terra esta tremendo, o Mar avançando, o Ar tomou formas e deforma tudo que vê e ainda ajuda as Chamas a fazer das cores do Mundo pó. E eu... eu continuo aqui, entre sorrisos ao lembrar do teu e soluços de choros a romper o silêncio, o meu silêncio. Este que nem mesmo com os gritos frenéticos do fim, se rompem. Não sei ao certo, porque tudo isso lá fora esta acontecendo, às vezes penso que até são coisas que minha mente inventa pra tentar roubar minha concentração. Em vão, nada no mundo, nem real, nem irreal, é capaz de me fazer esquecer, não pensar, temer. NADA. Nada pode assustar-me mais, abalar-me mais, afligir-me mais do que não estar com você, e quando noto, quando entendo, quando vejo que nem mesmo o Tempo, nem mesmo a Distancia e nem mesmo AMBOS são capazes de TIRAR VOCÊ DE MIM, sorrio sentadinha aqui, no olho do furacão, porque sei que NADA NESTA VIDA é capaz de me tirar VOCÊ de mim.
Por. Bell.B

Inexplicável


É inexplicável, não sei ao certo como e menos ainda porque, é como sentar-se na areia e se imaginar uma onda, como encostar a pele no gramado e contemplar as estrelas tentando entender como é possível ver luz no que não mais existe. É assim, assim como sentir na face o dedilhar do vento, assim como saber que existe o maior, o intocável, o infinito e mesmo sem saber onde, ter a certeza de que é pra lá que você quer ir. Não são possíveis de descrever com exatidão, nem tampouco indicar o caminho certo, mas sem pestanejar você segue, e com medo você continua, e com a fé você nutre a esperança que não acaba, que não dorme, que não morre, que não cansa-se nunca.


É como ver no meio do breu um ponto de luz, um sinal que só aquele que confia de fato no que sente é capaz de enxergar, é como se atirar mar a dentro sem saber nadar e confiar a mãe natureza o destino de sua vida. É como se permitir vagar sem saber pra onde é que a maresia te levará e ainda assim, ser capaz de sentir a plenitude da segurança imersa na imensidão que todos temem. É se jogar no abismo, é saltar de braços abertos do pico mais alto, é saber que o agora é sempre mais importante que o amanhã, que talvez possa não brilhar como outrora e ainda assim, expandir em face o sorriso doce, esvair-se em lágrimas salgadas de certeza, de que não houve nada, de que não há nada, de que jamais haverá no mundo o que me roube a calma se contudo eu sentir amanhã e depois, o mesmo que sinto agora, quando sua mão segura forte, firme e segura na minha.
Por. Bell.B


3 de fevereiro de 2012

Me Ganhou



Ela leu, releu, aquelas poucas linhas pareciam ecoar, reecoar, sacudiu a cabeça, foi pro banho e continuo a ouvi-lo. (sim... ela não o lia, ela o ouvia, ali mesmo, ao som da música "Time After Time" que passou a maior parte do dia ouvindo, rabiscou, não conseguiu ser breve como ele, ela nunca consegue ser breve. )

Conquistou-me ao dizer que minha presença bailava livre em seus pensamentos e que os refletores de sua saudade, voltam-se aos meus espaços, guardados em algum ponto empoeirado de teu passado. Ganhou-me quando sussurrou baixinho a si mesmo, que lhe pertenço e suspirou ao mentalizar meu sorriso tímido ou os meus múrmuros não contidos, nos momentos em que não tive forças pra cessar o choro ou ser capaz de conter os soluços que pareciam rasgar-me a garganta ao que te relatava meus pesares.

Ganhou-me quando me olhou seguro e certo do que ensaiou me dizer e ainda mais certo da reação que sabia que eu iria ter, e olhei-te com os olhos marejados, na dúvida de que não seria verdade, mas segura de que eram todas as “verdades” que eu queria e precisava saber naquele instante e você as profetizou à mim.

Convenceu-me... afirmando que esvoaçavam-se lembranças minhas em ti, sempre que contigo eu não podia estar. Ganhou-me ao me relatar que embora tivesse partido por vontade própria, ainda tinhas contigo o meu retrato, aquele no qual rabiscou versos teus no verso “poemas imortalizados”. Ganhou-me ao confessar que todos os meus pensamentos, estes que você diz ler repetidamente e incansavelmente e que lhe fazem sonhar tão alto, que são capazes de transportá-lo a mim sempre que não é possível estar ao meu lado. Estes que fez questão de fixar em folhas de caderno, afim de comoda-los no teu baú, como se fossem tesouros raros. 

Bordou em mim sorrisos, falando com convicção, que sente meu perfume, este que está impregnado em seu olfato, que meu olhar aprisionou a tua alma fazendo com que sua retina fotografasse cada instante comigo em sua memória. Ganhou-me quando assegurou-me que a distancia entre nós jamais existirá e que se ela for mesmo persistente, usaria da mente pra vir ou me levar a ti sem permitir que o espaço, tomasse posse entre os corpos e a saudade passasse a prevalecer entre a vontade de estar, conviver, sentir.

Assegurou-me. que quando o silêncio atormentasse a quietude, cantaria alto a nossa canção, e quando a memória traísse a letra, lembrará da minha voz cantando ao pé do teu ouvido a mesma música, que tantas e tantas vezes curou a dor da saudade, sanou o espaço de tempo, matou a vontade de estar quando não podia de fato estar comigo e me disse ainda, que quando uma lágrima insistisse em serenar no teu rosto, lembraria das minhas frases de efeito, às vezes nada inteligentes, mas cabíveis ao momento, que por conta da minha "infantilidade" deixa de ser tão séria e consegue roubar-te um sorriso faceiro.

E contudo, disse mais... disse que minha ausência aos poucos te consumiria e que todos os dias choveria dentro de ti, quando eu não estivesse presente, disse que Adeus seria apenas uma virgula e que os intervalos de tempo não esmagariam teu amor por mim. A pergunta que tenho me feito é... será que existe realmente um amor assim?
Por. Bell.B


2 de fevereiro de 2012

Ah Se Olhasse...


Se me olhasse assim, com esses olhos mansos e expansivos, verias que ao meu lento e articulado piscar, já sou tua. Se me olhasse dentro dos olhos veria o que vejo e não o que fito. Verias que sou aquela voz rouca que te habita no silêncio e que no calar grita provocando nos extremos de cada ponto de teu corpo total caus.


Se me olhasse atentamente, saberias que, o calor que te sobe à face e o ardor que te incomoda a pele, chama-se mal estar e então darias a mim, o nome de febre. Se me olhasse com os olhos que te olho, entenderia que sou a sonata que não te pertence mais que te invade a mente, fazendo-te sentir o incomodo da solidão. Deixando-te transtornado sem saber como agir, por não ter mais certeza, se sou mulher ou menina. 


E a culpa é tua, só tua, porque permites que habite em ti o silêncio que hoje não mais, dá-lhe calmaria, pois meus sussurros incomodam como histeria e invadem-te tão sorrateiramente, que podes tu, somente ouvir-me e calar-te, por não saber o que falar, sabendo que de fato, palavras já não há.


E uso eu da minha língua a roubar-te dos lábios as poucas palavras que te restam, fazendo-te sentir tão astuto quanto ingênuo, perdido no que pensas, pra adivinhar meus pensamentos, mais se meu olhasse nos olhos, decifraria... Se me olhasse, assim de perto, verias que sou teu aconchego, teu alivio, o estimulo dos teus sentidos, se me olhasse... Se me olhasse apenas uma vez sem olhar antes a duvida, certamente verias... 


... Verias em meus olhos o reflexo o teu destino, inteiro, entregue, ereto, pulsante, certeiro, verias teu caminho traçado em minha pele e teria-me por teu guia a mostrar-te todos os mais puros e impuros desejos meus. Pois esta cravada em minha retina a trilha por onde queres caminhar, ah se olhasse-me nos olhos verias, verias tudo que não vou contar, entenderia tudo que não sei explicar, e certamente saberias... Que és tu o reflexo que vejo no espelho, o que guardo pra mim em segredo, o que minha pele transpira, o que escorre de mim quando as palavras não dominam, o que faz do errado, o certo incerto, transformando tudo que até ontem não era correto em explosões de afetos.


E que és tu a busca, a procura a lacuna o que decifro indefinidamente sem entender. Se me olhasse nos olhos entenderia... que tenho mais a dizer-te do que recitar-lhe em poesias.
Por. Bell.B

Te Sentir


Deito-me triste sem entender direito o porquê, me reviro na cama, busco posição, mas é em vão... “Preciso me encaixar em você”
Fecho os olhos, oro, peço a Deus que me de forças, que lhe proteja e sem perceber... “Me pego suplicando por você”
Fixo a mente em coisas que vivi sem ti, mas tudo que vejo tem você. Balanço a cabeça, bagunço as idéias e quando abro os olhos... “Lá esta você”
De pé na porta, sorrindo da minha inquietude, de braços cruzados, pé no batente, sem nada dizer... “Sorri pra mim”
Fico sem graça, coloco o travesseiro na cara, me escondo de você... “Escuto um psiu”
Desconfiada levanto o travesseiro e pra minha surpresa... “Dou de cara com você”
Agachado na cabeceira da cama, com um olhar doce e a face serena. Você puxa o travesseiro, descobre meu rosto e diz num tom suave... “ - Se ajeita, vou esperá-la dormir”
Te olho com cara de boba, aquele sorriso de criança e sem saber o que dizer, abro um espaço na cama
e sorrio pra você... “Deslizo a mão no espaço que sobra”
Você se deita com os pés pra fora, coloca o braço por baixo da minha nuca, me puxa pra perto beijando minha testa de leve e sussurra... “Não há noite em que você adormeça sem os meus olhos pra te proteger”
Eu fecho os olhos, agradeço a Deus por te ter... “Sei que não está aqui agora, mais é impossível eu me deitar sem te sentir”
Por. Bell.B

Coragem


Rasga meu coração verdade dura, como navalha que sangra, em uma simples linha profunda. Bagunçam meu pensamento, suas frases sujas. Abala minha alma, ferida que pulsa. Medo do inserto, que assombra e perturba.

Caráter posto a prova, de quem certo se julga.
Errado que daria certo, se não fosse a temida duvida.
Palavras jogadas ao vento, inverdades em cima de quem nunca tem culpa.
Vontades sufocadas no peito, grito rouco de silencio na garganta de quem não tem coragem de ir à luta.
Por. Bell.B

Penso


É o medo de amar o desconhecido,
É o conhecimento que me dá cada vez mais medo.
É o sonho que alimenta minha esperança,
É o sonho que sumiria se não fosse à fé que tenho.

É a raiva que alimenta meu desejo,
É o desejo que tenho, de perdoar os que odeio.
É a fraqueza que me derruba de joelhos,
É de joelhos que encontro forças pra me erguer 
E lutar contra o que temo.

É coração, sangrando no peito,
É delírio invés de pensamento.
É lucidez perdendo espaço para devaneios,
É amar um amor desordeiro.

É vida que sofre em silêncio,
É mudo o grito de desespero.
É calada que sigo meu destino,
É escrevendo que sobrevivo e não morro por dentro.

E é assim que de você não me perco.
Semeando esperança,
Colhendo amor 
E usando rimas 
Pra expor o que penso.
Por. Bell.B

1 de fevereiro de 2012

California King Bed...♪

Just when I felt like giving upon us
You turned around and gave me one last touch
That made everything feel better
And even then my eyes got better
So confused wanna ask you if you love me...♪

Tão Sozinha

Quando ela lia, o via e como não tinha controle sobre suas manias, sobre ele, ela escrevia. Ela pensava e ao caminhar pela casa, descontraída, com seu pijama batido e suas pelúcias nos pés, ela preenchia seus pensamentos com ele, pra que seu dia não fosse sempre tão frio... Muitas vezes e quase sempre, se joga na cama, de barriga pra cima, deixando invadir o ambiente o  doce som da melodia, ela sorri quando se vê, por ver que só sorri quando se olha, por que se vendo, ela o vê.

Ela faz manha, adora charme, tem preguiça de sentir preguiça, apresenta-se sempre casualmente desarrumada, ocultando todo o cuidado antes de se mostrar assim "tão bagunçada" e ao fitar os olhos atentos dele, ela entrelaça os dedos entre os fios "supostamente embaraçados" e simplesmente sorri.

Assume sem dizer que tem temores, e foge de cada um deles fechando os olhos e deixando penetrar em seu coração, a canção que tanto cantou, que muito ouviu, ela lembra como se tudo não fosse memórias, ela sente como se tudo tivesse sido não "ontem", mas agora, ela ri de si mesma, por saber que não é mais uma menina, mas por agir como se fosse pequena... 

Eles pensam que ela está só, e acreditam que ela gosta de assim estar, e ela segue aparentemente só, com seus guardados na mente, suas canções ao pé do ouvido, seus sorrisos repentinos ao recordar, as lágrimas que se rompem sem avisar, quando ela sente o que ela jamais poderá controlar e SIM, aparentemente ela esta só, e lá fica ela, com a solidão calada, quieta... mas não sozinha, porque dentro de seu peito, também habita "ele" junto ao seu coração.
Por. Bell.B

Mistos



As notas... estão mais profundas.
As letras... mais agudas.
As frases... mais soltas.


Os sorrisos... cada vez mais escassos.
Os suspiros... cada instante mais extensos.
Os medos... cada dia mais próximos.


As vontades andam mais latentes, os pensamentos cada vez mais distantes.
A cada dois passos dado a diante, a sensação de ter recuado quatro.
Você busca no Céu, respostas. Repete as mesmas perguntas milhões de vezes.
Tenta desesperadamente acertar, comete os mesmos erros. 


Você respira... o ar não entra.
Você chora... as lágrimas não caem.
Você não fala... teu silêncio grita.


Você corre... mas suas pernas não chegam a lugar algum.
Você busca... suas mãos não alcançam.
Você olha... mas suas vistas não conseguem enxergar nada.


O mundo parece estar ruindo. Seus planos começam a desmoronar em efeito dominó. Começa a deturpar as frases, descartar os conselhos, ignorar os alertas. Sente-se apavorada, sozinha ainda que acompanhada. Sofre por não conseguir entender os sinais. Seriam sinais? Como proceder? Como agir? Como reagir, diante das sensações desconhecidas? 


Então você mais uma vez puxa o ar e... respira. 
E então as emoções se descontrolam e você... chora.
Logo a aflição se esvai, a calma toma o espaço do vazio, você consegue sorrir. Ri de si mesma, ri por ter se sentido tão pequena. Ri das coisas bobas que te passam pela cabeça, das mistas sensações que te derrubaram como uma onda descontrolada, arrebentando na orla da praia. Ri por descobrir que embora não haja muito o que fazer em relação ao que esta por vir, a solução do "agora" não depende de mais ninguém, senão de ti. E neste momento você entende que não importa o que esta por vir, o que importa é como você vai reagir quando o novo acontecer.
Por. Bell.B