27 de novembro de 2012

Impossível?

 (A única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível.)

Alice: Isso é impossível!
Chapeleiro: Só se você acreditar que é.
Extraído do Filme - Alice no País das Maravilhas

Intensidade

 Que a minha intensidade não me impeça de respirar vezenquando, pois suspiro o tempo todo pra encontrar espaço nesse peito que já nem se cabe.
Por. Marla de Queiroz

21 de novembro de 2012

Oito


As horas pareciam caçoar dela, os dias passavam quase que à arrastando. Noite após noite, suas orações ficavam cada vez mais fervorosas, desesperadas. Suplicava por noticias, implorava por sinais. Sinais de quê ainda existisse alguma coisa, uma chama viva, que não só dentro de si. Mas parecia ser em vão rezar, pedir, suplicar por algo assim. Aquela altura, nada mais parecia fazer ou ter sentido algum, e como as respostas não vinham nem da Terra, nem do Céu... parou de pedir e aceitou o silêncio como se fosse a única coisa em que devesse acreditar.


Não deixou de pensar, de lembrar de suas histórias. Em momento algum, decidiu por esquecer de tudo que tinham vivido, passado, construído juntos. Eram sentimentos demais, preciosos demais, verdadeiros demais, para serem deixados de lado num canto qualquer da consciência tomando poeira... Apenas optou por deixar as "águas correrem" e seguirem seu fluxo. Porém era tão sonhadora quanto realista, e suas experiencias de vida, foram de certo modo, a moldando e dando a ela um jeito um tanto quanto "peculiar" de aceitar o destino, mesmo quando este destino não lhe sorria.

E assim, ora nostálgica (entorpecida) noutras tomada de alegria (embriagada), seguia. Vire e mexe se via obrigada a discutir consigo e em algumas das vezes, até se punha de castigo. Era severa com suas atitudes e na maioria das vezes, fazia o que precisava ser feito, mesmo quando isso ia contra seus sentimentos. Na maior parte dos casos, sofria. Mas este sentimento já lhe era tão comum, que superava isso com êxito. E decidida, certa do que tinha feito e do que dali em diante faria, seguia. Tinha por companhia as canções, os rabiscos, as lembranças. E com eles seus devaneios. Tudo que sentia, queria, sonhava, se misturava com o que tinha, com o que vivia no seu dia a dia. Em muitas das vezes, já não sabia se o que escrevia eram desabafos ou somente fantasias. Na verdade, nunca quis saber, fazia isso na tentativa frustrada de se livrar do peso. O peso do sentir, este que a deixa confusa, que a faz chorar, que a toma no colo, fazendo-a acreditar que não importa o que aconteça, no fim, é possível sim... sorrir.

E com suas confusões, com seus conflitos, com seus sentimentos apertados e espremidos dentro do peito, ainda assim, ela sorri. Sorri por saber que mesmo com todos os seus defeitos, com todas as suas escolhas, com toda a distancia e ausência, ele ainda a escuta em seu silêncio. Ele ainda a vê em livros, ele ainda a escuta em canções. Ele traceja sorrindo o número 8 deitado, da mesma maneira que ela sorri, quando vê o reflexo dos olhos dele, no 8 deitado em seu quadril quando de costas, olha no espelho.
Por. Bell.B

16 de novembro de 2012

Bilhete

Um bilhete deixado horas atrás indicava seu fracasso. Não esperou. Ao procurá-lo pelos cômodos, sentia que não estava mais ali. Ele se fora, deixara um bilhete e algo mais. Uma sensação. Um daqueles sinais que o cosmos ou o desespero dão para o coração quando quem se ama passou por ali, como um aviso, um sinal. Por mais que ela corresse apressada pelas ruas, remasse com toda sua força contra a maré, não era o suficiente. E doía enxergar que não era o suficiente. Doía pensar que, enquanto o fazia seu mundo, ela nada mais era do que uma ruazinha escura em que ele passou ao errar o caminho. O que tinha que ser, era. E os sinais eram claros, brilhavam escrito nas estrelas que não era pra ser. Não agora. Em outro tempo, outro lugar, outra vida, quem sabe. Definitivamente, não agora. Mas ela queria tanto, tanto que fosse. E ignorava, lutava, gritava pedindo ajuda. Não bastava apenas ela querer, ele deveria querer também. Mas o bilhete - ah, bilhete cruel e sem uma gota de sentimentalismo barato que ela tanto queria - indicava que estava só em um barco à deriva. Mais uma vez a vida lhe pregara uma peça, pensou angustiada. Tanta vida vivida e tanta ferida dentro do peito. E por qual motivo? Por qual razão? Meu Deus, alguém por favor responda! Ela pensara que encontrara. As músicas faziam sentido, o pulso acelerava e perdia a fala ao ver seu rosto lhe sorrindo enquanto caminhava em sua direção, transbordava de alegria por todos os cantos. Até o bom humor havia voltado! E se fora. Fácil, como se fosse apenas uma miragem, um sonho bom que teve um dia antes do aniversário tamanha alegria que sentia, um presente dado por um ente querido. Ela ficara, cega, tola, boba. Com um nó no estômago que não queria desatar. Confusa. Simplesmente… Confusa. Que é que a gente faz quando a vida te deixa um bilhete em cima da mesa e dá as costas? Que é que a gente faz quando não sabe o que fazer?
Por. Gabriela Santarosa

9 de novembro de 2012

Apenas Faça


Meus

Eu vivo morrendo,
Caindo em meus abismos,
Gritando meus silêncios,
E escrevendo vontades...
Por. Rodrigo Victor

S.S.S

 Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão. Que às vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio. Guardo o seu nome em segredo. Preciso de segredos para viver.
Por. Clarice Lispector

8 de novembro de 2012

Não Volto

 As horas continuam correndo e se dessa vez você não vier, eu também não vou. Se você não disser que está com saudades, eu também não vou dizer. Vou fazer o inverso dessa vez. E não espere eu trocar esse inverso por indiferença. Ainda me importo e ainda estou aqui. Então se resolve. Decide se vem e se fica. Decide se me quer de volta. Porque ainda dá tempo de continuarmos de onde a gente parou. Mas se você demorar mais um pouco. Eu vou e não volto.
Extraído do Livro/Filme - Querido John