19 de novembro de 2015

Morning


Era arisca, mau humorada, chata. Na sua lista "de coisas que não se deveriam fazer a ela" acordá-la estava no topo do ranking. Segundo ela mesma, seria como soltar fogos dentro de uma gruta aonde um enorme urso da floresta hiberna. Cheia de manias, rituais, clichês. TOC's. E até bem pouco tempo atrás, todas as suas regras eram respeitadas. Talvez por ser convincente em ditá-las, ou mesmo por realmente até então, ninguém ter coragem o suficiente de se arriscar. De testar seus limites e saber até onde, tudo aquilo que soava tão seguramente da boca pra fora, fosse verdade. Mas ele apareceu, surgiu como aqueles príncipes encantados de contos de fada. Mas não usava armadura, nem tampouco empunhava laminas reluzentes. Não veio montado num cavalo branco, não escalou torre alguma. Sequer duelou. Não segurava absolutamente nada em suas mãos, porém, a sua maior arma, vinha pulsando em seu peito, bombeando coragem e lhe dando direção.

E ele caminhava rumo a ela, sem qualquer receio, sem qualquer insegurança. Na verdade, talvez ele até adorasse aquilo, aquilo de não saber (sabendo) como ela reagiria. Cada dia era uma surpresa, cada momento era uma aventura diferente. Sem repetições, sem rotinas. Não havia um padrão entre eles. Alias... Não havia controle. Ele surpreendentemente, conseguiu fazê-la abstrair essa palavra da sua vida. Tudo acontecia der repente, sem roteiro, sem peso, sem medida. Ele simplesmente ia, e ela não tinha forças para pará-lo. E mesmo muitas vezes ela dizendo, entonando PARE, seu corpo, seus olhos, seus sentidos não obedeciam. Era como um míssil teleguiado. Como um campo sendo bombardeado. Ele surgiu e explodiu dentro dela. Deu iniciou a uma guerra onde desta vez, vencer não era o objetivo dela. 

Resistiu o quanto pode, lutou até não ter mais forças. E quando se viu cercada, acuada por aqueles olhos que não tinha cor de ouro, mas que reluziam tanto, senão mais que tal. Quando percebeu que nele, havia mais coragem pra lutar por ela, do que a coragem dela mesma em não se permitir, entendeu...

... Entendeu que ele não portava armas, porque ele não estava lutando com ela, mas por ela. 
Compreendeu que o amor dele, era mais forte do que o que todos aqueles que a fez desacreditar do amor. 
Percebeu que até ele invadir sua vida, ainda não tinha conhecido o que era amor de verdade. E desde então, tem sido assim as noites, madrugadas, manhãs... Ele a faz dormir segura, e a desperta para mais um dia. E independente de individualmente terem dias ruins, pesados, complicados, dividem, somam, multiplicam um ao outro. Se completam, sem padrões, sem rotina. 

E sobre esta manhã!? Mais uma de tantas... Ele entrou no quarto, ficou alguns minutos parado. A observando. Suas retinas registravam cada movimento dela na cama. Seus ouvidos captavam o menor ruído de sua respiração. Se aproximou de vagar, se acomodou do seu lado da cama, sorrio. Dedilhou delicadamente seu rosto, enquanto sussurrava "... acorda amor". Afastou-se alguns centímetros, encarou Morfeu friamente ordenando que a deixasse vir pra ele. O bom dia dela veio quase num grunhido, alguns empurrões e resmungos. Mas nem ouvi-la praguejar o fez recuar. Ele adorava isso. Esse mau humor matinal dela. E adorava ainda mais transformar toda aquela chatice dela, num tesão repentino. Muito filho da puta, sabia o caminho. Sabia como fazê-la sorrir em momentos que nem mesmo ela, se imaginava sorrindo. 

Antes do café, a língua dele na boca dela. Antes do espreguiçar, o peso do corpo dele sobre ela, a fazendo tremer, se contrair, despertar. E ao invés do "bom dia" ecoou pelo quarto... Goza VADIA MINHA.

 Por. Bell.B