31 de outubro de 2013

Amarello Amor

O que existe além do que já foi dito sobre o amor?

Toda minha vida pautada em amores que tive ou gostaria de ter.
Falando sobre os que tive, também não tenho muito a dizer. Amei e fui muito bem amada. Mas foi um amor, um único amor que veio cruzou minha vida, tocou a minha alma e ficou marcado em minha pele.

Todos nos carregamos conosco uma história. Aquela que só nos atrevemos a lembrar, quando durante a noite no escuro, encostamos nossas cabeças no travesseiro e o silêncio cala fundo.
Não importam os anos, certas coisas simplesmente permanecem.

Mas então, numa quinta-feira a tarde de um ano qualquer, tropeçamos nesse amor já supostamente esquecido. Percebemos que amor igual não há e aquela pessoa continua e continuará a ser nossa referencia afetiva mais sincera e profunda. Não é doença nem obsessão. Alias não é nada, só amor.

Amor dos bons, daqueles que são únicos e maravilhosos, que acontecem poucas vezes na vida das pessoas. Daqueles amores que ficam e que teremos que conviver com ele como algo concreto e parte de nossas vidas.
Que alma consegue atravessar a vida sem ter conhecido o amor? 
 E quem sabe ter a sorte de ser correspondido?
Que vida vale a pena sem amor?

Nenhum sentimento é mais lindo profundo e transformador que o amor. Só o amor transcende e purifica, enlouquece, cura, invade, permanece, liberta e aprisiona. Quando acontece é um som grave que penetra invade e permanece. Não compliquem e nem elaborem o sentimento mais incrível e poderoso de todos.
Permitam que ele chegue e se instale. Pois, o resto são bobagens meninas, bobagens.
Por. Carolina Ferraz

Bandido


 
Já faz algum tempo que não nos falamos. Na verdade, muito tempo. Eu tento puxar na memória o momento exato da nossa despedida. Imagino aquelas cenas que passam em slow no meio do filme entre a mocinha e o mocinho. (O beijo que dura vinte segundos, o abraço apertado seguido da frase quase simultânea entre o casal... “Não se preocupe, eu voltarei.” Ele entrando num trem com os olhos marejados enquanto ela desmorona em lágrimas ao vê-lo acenar da janela, como se toda sua vida estivesse sendo arrastada por sobre os trilhos como almas acorrentadas que vagam pela Terra a pagar suas dividas por terem levado uma vida desgraçada.) Mas antes que os protagonistas se encontrem no fim, volto à realidade, não estamos em telas que projetam finais felizes, eu não tenho um roteiro nas mãos no qual possa alternar um final que não tenha me deixado feliz. Alias, comecei a perceber que pouca coisa me deixa feliz hoje em dia. E isso tem me intrigado um pouco. Por que... Lembro-me que junto á ti, felicidade era algo que não me faltava. Riamos de tudo, por nada. Até as piadas repetidas me animavam. Talvez porque só você era capaz de contá-las com tanta graça.

Graça... Acho que foi isso que perdi quando você se perdeu de mim. Eu passo horas lendo e relendo nossas conversas, escutando nossas músicas. Puta que pariu as músicas... Ora e outra te vejo sentado na beirada da minha cama. (Seu violão com meu nome cravado, você alternando os dedos entre as cordas e o cigarro, cantando, me encantando a cada nota seguida entre uma frase e um trago.) Essas lembranças atravessam-me como navalhas. E cada lágrima que escorre dos meus olhos, parecem jorrar do meio do meu peito como uma veia perfurada. Eu aperto os olhos, eu praguejo, eu até grito em alto e bom som que te odeio. Mentira deslavada! Eu ainda te amo te amo como se nunca, como se jamais tivesse ido embora. Mesmo depois de tanto tempo, mesmo sem sequer trocarmos mais uma única palavra, ainda te amo. Te amo como te amei há cinco anos atrás e te amarei até que eu não tenha mais noção de tempo pra somar ou somatizar o que os efeitos colaterais da sua ausência me causam.

Eu vou continuar aqui, escrevendo... Vestida com a sua camisa velha surrada. Servindo-me de memórias nossas em doses homeopáticas enquanto fico horas de pé na janela, esperando que aponte no começo da rua e venha se desculpar pela ausência que me massacra. Não, eu não vou te enviar esta carta. Eu não vou te contar (outra vez) como tem sido. Até porque, talvez você nem mais se lembre de mim. Fatalmente eu não fiquei em sua memória, como você por inteiro entranhou-se em mim. E a essa altura, talvez você já esteja amando novamente. Talvez esteja fazendo planos, sendo feliz, vivendo o que eu não fui capaz de nos permitir realizar. Dói demais imaginar você com outra pessoa que não eu. Na verdade dói pra caralho te imaginar com outra pessoa. Mas não posso voltar atrás, faz tempo demais. E não seria justo comigo. Afinal, você nem se despediu. Simplesmente partiu. Partiu-me ao meio quando por si só, decidiu que o melhor seria se afastar de mim. Eu vou continuar aqui, na minha, assim... Calada. Esperando que volte e devolva-me tudo que roubou ao sair. Eu vou continuar aqui... Escutando as nossas músicas, nos vendo nas telas do cinema, nos projetando nos personagens românticos das novelas, nos imaginando nas linhas de um romance qualquer, riscando, rabiscando meus sentimentos, na esperança de que um dia você apareça. Na esperança de que descubra por si só, que embora você tenha decidido partir sem se despedir, é e pra sempre será você, o único e verdadeiro amor que ainda habita em mim.
 Por. Bell.B

29 de outubro de 2013

Outubro

 Nem sempre outubro têm o cheiro da primavera ou uma identidade afetiva, apesar da palavra “outubro” ser toda redondinha. Nem sempre a despedida definitiva do inverno, sol sem duração. Outubro, meu amor, são dias consecutivos com qualquer coisa que você enfie dentro deles. São semanas com suas luas, desnudas de nuvens ou não. Azuis e cinzas, folhas mortas pelo chão. Um ipê acena ao longe, mas quem viu que ele floriu? Não adianta estar em outubro, meu amor, lembrando que se foi tão mais feliz em abril.
Por. Marla de Queiroz

Pausa

De tempos em tempos dou uma pausa no drama excessivo e viro do avesso pra me tornar essa pessoa calminha, despreocupada e de bem com a vida. Só até me cansar e correr de volta pro olho do furacão. Sou meio inconstante, pode-se dizer assim. Uma hora quero calmaria e na outra quero tempestade. Pra falar a verdade, nem sei o que eu quero. Vivo pra descobrir isso.
Por. Iolanda Valentim

4 de outubro de 2013

Tempestade



Não conseguiu dormir direito aquela noite. Na verdade não dormiu foi é nada. Virava se revirava na cama, doida, desesperada para dar a resposta que ecoava em sua cabeça fazendo coçar da ponta de sua língua ao céu da boca. Por várias vezes se levantou e feito uma alma penada, andou pelos cômodos escuros da casa. Parava na janela, o vento batia contra sua face fazendo com que seus cabelos ficassem ainda mais emaranhados do que já estavam. Pareciam refletir seus pensamentos de fora pra dentro. Estava num estado meio nostálgico, meio revolto... Não conseguirá durante aquela noite, decifrar exatamente o que sentia. Talvez tenha sido, um dos piores momentos que já passará (com) sem ele. Quando voltou pra cama, o sol já quase raiva, ainda tímido e sem forças, por trás das carregadas nuvens acinzentadas. Certamente aquele dia choveria, faria frio, talvez até caísse um temporal. Não seria lá fora, tão diferente quando dentro dela. Vencida pela estafa mental e as necessidades fisiológicas do seu corpo, rendeu-se. E como há muito já não fazia, naquele dia, dormiu com o celular na cama.

Algumas horas depois, já estava de pé, passando o café e com outro cigarro na boca. O cinzeiro denunciava escancaradamente sua noite de insônia. Estupidamente acendia um cigarro atrás do outro, na esperança de encontrar luz, na brasa incandescente que ao contrario de sua esperança, além de não clarear ideia alguma, escurecia ainda mais seus pulmões, que na altura do campeonato, já desconheciam quaisquer tons de vermelho sangue que desse qualquer sinal seguro de saúde ou vida. Foda-se... Nunca importara-se com isso. Até temia parar no purgatório, devido a relatos sobre "fumantes automaticamente serem suicidas". Mas nem mesmo o medo a fazia parar, e em casos como os que se encontrava, ai é que se assegurava de garantir sua vaga VIP premiada no limbo. Estava cansada, cansada em todos os sentidos. Com o cigarro entre os dedos e o café na mão, leu mais uma vez a mensagem. Acendeu outro cigarro, respirou fundo, apoiou os cotovelos sobre a mesa, baixando a cabeça sobre as mãos. Talvez tenha feito um prece, talvez tenha descansado os olhos, talvez tenha formulado a resposta. Quem sabe decidiu encontrá-lo?

Ergueu a cabeça, inspirou... Não se permitiu chorar e realmente não chorou naquele instante. Colocou mais café, tomou desta vez sem o acompanhamento do cigarro, apanhou o celular, o encarou por alguns instantes, apagou a mensagem e o desligou. Voltou pra cama deixando-o em cima da mesa. Assim que se ajeitou, trovões começaram a estrondar e os raios a riscar o céu do lado de fora. Encarou o temporal como uma advertência, como uma sinal, como uma bronca. Mas não se intimidou... E ao mesmo instante que rompera sua raiva, seu ódio, sua mágoa em prantos, o vento atirava as gotas contra sua janela com tamanha força, que pareciam querer atravessar o vidro e encharcá-la. O que não era necessário, ela não estava do lado de dentro, diferente da tempestade que estava caindo lá fora.
Bell. B

3 de outubro de 2013

Refém



Ficou ali parada, olhando para o visor, pensando nas possibilidades que o fizera enviar a ela aquela mensagem. Porque depois de tantos dias ele faria isso? Teve tantas oportunidades antes, da última vez que se falaram, fora tão frio e estúpido com ela, que por mais que tentasse encontrar quaisquer resquícios de carinho, não conseguia encaixar no contexto nenhuma atitude sentimental dele em relação a ela. O que exatamente ele queria com aquilo? Avisar que queria algo de volta? (O quê?) Notificá-la que não queria mais nada dela em sua nova casa (nova vida) e que ela fosse buscar seus pertences que acabaram sem querer, indo com ele na mudança? Testá-la? Provocá-la? Foder com a vida dela? Várias possibilidades passaram pela cabeça dela, menos uma... “Estaria com saudades, arrependido, queria pedir desculpas.” Esta sequer passou-lhe pela cabeça. Fora tão seguro em suas ultimas linhas, aparentemente tão decidido (seco) no seu último gesto, que embora no fundo de seu coração, fosse o que realmente esperava depois de tudo, não conseguiu idealizar isso. Não naquele exato momento.  Precisava se ocupar, não voltaria atrás por nada nesse mundo (ao menos era essa a ideia), e a fim de controlar a sua curiosidade, segurou a “tecla desligar” e atirou o celular na gaveta do criado mudo. Sentou-se na cama, e daquele momento em diante, nada além da vontade absurda de descobrir o que havia no corpo daquela mensagem a inquietava mais.

Quando estava prestes a resgatar o aparelho do fundo da gaveta, foi puxada de volta pelo toque do telefone. Seu coração só não saiu pela boca com o susto, porque ela mordiscava o cantinho do lábio inferior (tirando o tique de mexer compulsivamente nos cabelos quando nervosa, também mordia o lábio).  Assim que atendeu, sentiu-se aliviada. Era Jonh a convidando para sair. É certo dizer que ao acordar, ele havia sido seu primeiro pensamento, e rendera-lhe alguns suspiros, mas subitamente as coisas haviam mudado. E aquilo não era nada bom. A primeira sugestão feita foi recusada. Por algum motivo que não se sabia qual (sabia-se sim), ela não estava afim de agitação, pessoas, barulho. Propôs então que fossem apenas jantar. Pra se verem, se conhecerem mais. Agora ela não queria mais, não mais ele, mas sair... Mas topou, era a deixa que precisava para não cair em tentação. Pontualmente no horário marcado, estava ele na portaria. Ela não autorizou a entrada e pediu ao zelador que dissesse a ele, que em 10 minutos desceria. Por incrível que pareça, ela já estava pronta. O tempo que pediu, na verdade era pra decidir se levaria ou não o celular que ainda estava aprisionado na escuridão da gaveta. “Não!” Disse ela olhando para o criado mudo. “Você não tem esse direito, não vai fazer isso comigo outra vez, não vai!” Virou-se para o espelho para passar o batom e se deparou com aquele olhar distante, profundo, marejado de antes. Encarou-se com firmeza, mas sentiu certo desconforto. Não sucumbiu. Respirou fundo, passou o batom e saiu.

O encontrou recostado na lateral do carro. Ainda bem que escolherá um vestido preto clássico porque ele estava muito bem trajado, num terno perfeitamente ajustado. Estava impecável. Quando foi cumprimenta-lo e fez sinal com a mão para que ela ficasse parada. Não entendeu muito bem, mas obedeceu. Lentamente ele deu alguns passos na sua direção, antes que ela descesse o ultimo degrau. Com os olhos à mediu de cima abaixo, e a encarou por longos 10 segundos com um sorriso que por mais que tentasse, entregava-lhe todos os pensamentos. Ela respondeu o olhar sem dizer nada, e ele de imediato compreendeu a pergunta. “Podemos sim...” Estendeu-lhe a mão e a conduziu até o carro. No caminho não falaram muito, o que o fez estranhar, mas não fez quaisquer perguntas que pudessem a desagradar. Não queria parecer evasivo, embora estivesse como uma vontade enorme de querer saber o que estava se passando dentro da cabecinha dela. Por mais que sorrisse ora e outra e respondesse quase monossilábica as suas perguntas casuais, aquele olhar que encontrou o dele no topo da escada lhe era familiar. Só não conseguia decifrar de onde. Por fim, chegaram ao restaurante, o gerente os recebeu sem nem perguntar sobre reservas e gentilmente os conduziu até o local em que jantariam. O lugar era belíssimo, com decoração colonial, cheio de requintes e glamour.  Passaram por dois saguões, subiram alguns lances de escada e o gerente então lhes apontou a mesa. Ficava no terraço, supunha ela que aquele lugar fosse o mais caro. De onde estavam, podiam ver a cidade inteira. Quem conseguiria encontrar vontade de comer com uma vista tão bela quanto aquela? Ele dispensou o metre e puxou a cadeira para que ela se senta-se. “Por favor...”. Ela sentou-se, em seguida ele, e imediatamente o garçom surgiu, perguntando o que queriam para beber. Pra ele, pediu um vinho tinto, e antes que ela fizesse seu pedido, antecipou-se pedindo uma coca-cola gelada com gelo separado. Ela sorriu...

 “Sei que não curte etílicos, e imagino que não abrirá exceções, rs. Pedi certo não?” Entrelaçou os dedos nos cabelos, jogou-os de lado e consentiu. “Batas?” Arrancou-lhe mais um sorriso a pergunta. “Hoje não... acompanharei você em seu pedido. Salada?” Agora quem sorriu foi ele. “Você me parece um pouco inquieta, tudo bem?” Relutou por vários momentos em fazer a pergunta, mas a distração dela e a tensão eram tamanha que não resistiu. “Não é nada, só um pouco cansada.” Qualquer pessoa, até mesmo ele, que não a conhecia intimamente, conseguiria captar a ocultação da verdade naquela frase. Mas se insistisse, talvez estragasse o encontro e esse não era o plano. Conversaram sobre coisas rotineiras, casuais e a entrada veio, depois o prato principal, e por fim a sobremesa. Ela tinha conseguido se concentrar neles, a angustia das horas anteriores passará. Ele era uma companhia agradabilíssima, divertida. Era um homem inteligente, qualquer garota desejaria estar com ele, ainda que não tivesse as demais qualidades por só ser lindo. Acontece que isso era um forte atrativo, porém, não pra ela. As coisas que ela buscava no sexo oposto, iam muito além da beleza física. E até o momento, ele parecia preencher os requisitos necessários para talvez, dar o ponta pé inicial na conquista. Mas ainda assim, alguma a coisa a distraia. E ele perceberá que ela não estava cem por cento com ele, como no outro dia. Ele de alguma forma, estava ficando meio incomodado, talvez tenha dito ou feito algo que a desagradará. (Mas o que?) Quando enfim tomou coragem para perguntar, o celular dele tocou.  Foi o que bastou pra ela se ver novamente de pé na frente do criado, atirando o celular na gaveta.

Um nó lhe subiu a garganta, os olhos dela congelaram. Queria sair correndo dali e ir para casa descobrir definitivamente o que “ele” queria. Mas não queria chateá-lo. Não queria deixar transparecer ainda mais sua aflição. Mas infelizmente não conseguiu. Ele não atendeu a ligação, se precipitou dizendo que era trabalho. (como se ela fosse perguntar quem era... imagina) Mas ela não estava nem um pouco preocupada em saber quem tinha ligado pra ela, a única coisa que ela queria de fato, era saber o que estava escrito naquela mensagem que ficou aprisionada em seu quarto como um refém ansioso a ser libertado. Conclui que era assim que ela estava se sentindo. Como uma refém. E isso era tão injusto com ela, com ele. Afinal, até aquele momento, ele estava sendo a melhor coisa que acontecerá a ela nos últimos dias. Por esse motivo, sentiu-se ainda pior. E por ser justa, explicou a ele exatamente o que estava acontecendo com ela. Ele gentilmente a ouviu ficaram ali por mais algumas horas e inexplicavelmente a conversa degringolou. Ora e outra ele segurava na mão dela para consolá-la, fazia algumas gracinhas em momentos oportunos, e isso a fazia sorrir. Ela sentiu-se tão mais aliviada e ainda mais quando ele confessou também estar saído de uma relação conturbada. Pronto... agora tinham mais isso em comum. Seria ela na ligação? Afirmou ele mais adiante na conversa que não. Enfim... Ele a levou pra casa, ela agradeceu pela noite maravilhosa e ao se despedirem, ele tentou beijá-la. Seria justo. Mas ela recuou e delicadamente virando o rosto, os lábios dele encontraram sua face. Ele a abraçou apertado, como quem não a fosse soltar nunca mais. Ela sentiu-se segura naquele momento. Mas momentos seguros passam, e ela era a maior prova viva desta conclusão. Ele disse que ligaria, ela consentiu e se despediram assim. Apenas como bons amigos.

Assim que abriu a porta, entrou e foi direto para o quarto. Resgatou o refém. Mas ela ainda se sentia acuada. Estava com raiva. Muita raiva. Ele quase tinha estragado sua noite e de alguma maneira, estava destruindo seus planos. Como é que ele ousava fazer isso com ela depois de tudo? Saíra com outra mulher sem ao menos terminar com ela, mesmo que não estivessem mais juntos, a sensação era de que tinha sido traída naquela noite. A imagem daquela mulher na casa dele a partira em milhares de pedaços. Depois se não bastasse, ele responderá sua carta com tamanha frieza que qualquer fragmento de esperança se dissipou como se nunca tivessem tido nada. E a chave? O suspiro de vida que entre eles que ele ao devolver, abafará não deixando a ela qualquer dúvida de que de fato, agora acabará. “Odeio você...” Praguejou olhando para tela do celular apagada. Sentiu ainda mais raiva ao se lembrar dos últimos acontecimentos e se sentiu fraca. Porque diabos não cedeu aos encantos, porque não se atirou aos braços e beijou Jonh? Tinha certeza do que leria, certamente ele estaria cobrando algo que deixará com ela, ou querendo que ela fosse buscar o que de direito era dela em sua casa. Ligou o celular e tomou coragem, e pra sua surpresa, o que estava no corpo daquela mensagem, era a possibilidade que ela inicialmente descartará.  Aquilo a deixou confusa, talvez até meio abalada. Porque ele estava fazendo isso com ela? A tal garota cantora o deixará? O que exatamente ele queria com aquilo? Já passará por um momento parecido, alias, vários. Ele fazia e desfazia e ela o perdoava. Era a hora de parar com isso? De dar de vez um basta? Ela não sabia o que fazer, precisava digerir aquelas palavras. Esperaria... Esperaria a hora certa de tomar uma atitude, não queria se precipitar e quebrar mais uma vez a cara.

Por. Bell.B