22 de dezembro de 2015

Tocou


E ai que ela tá naquela "vibe" EMOtiva. Onde tudo lateja, tudo pulsa, tudo dói quando ela respira. E dói sem saber onde ou porque. E atropela e acelera, corre passando por ela como um cometa rasgando o céu. Ela foge, se encolhe, se recolhe. Se esconde do mundo pra fugir de si mesma. Se atormenta. Cai no clichê, no démodé. Cafona? Brega!? Ai vem ela, emergindo depois de respirar o mais fundo que consegue. FODA-SE! E se agarra as notas, as sonatas, a canção. E não importa o estilo, o formato, o instrumento. Tocou e tocou ela. E quando isso acontece, ela repete, repete, e não se cansa de gritar sem dizer nada, através na melodia e a luz apagada.


Por. Bell.B

19 de novembro de 2015

Morning


Era arisca, mau humorada, chata. Na sua lista "de coisas que não se deveriam fazer a ela" acordá-la estava no topo do ranking. Segundo ela mesma, seria como soltar fogos dentro de uma gruta aonde um enorme urso da floresta hiberna. Cheia de manias, rituais, clichês. TOC's. E até bem pouco tempo atrás, todas as suas regras eram respeitadas. Talvez por ser convincente em ditá-las, ou mesmo por realmente até então, ninguém ter coragem o suficiente de se arriscar. De testar seus limites e saber até onde, tudo aquilo que soava tão seguramente da boca pra fora, fosse verdade. Mas ele apareceu, surgiu como aqueles príncipes encantados de contos de fada. Mas não usava armadura, nem tampouco empunhava laminas reluzentes. Não veio montado num cavalo branco, não escalou torre alguma. Sequer duelou. Não segurava absolutamente nada em suas mãos, porém, a sua maior arma, vinha pulsando em seu peito, bombeando coragem e lhe dando direção.

E ele caminhava rumo a ela, sem qualquer receio, sem qualquer insegurança. Na verdade, talvez ele até adorasse aquilo, aquilo de não saber (sabendo) como ela reagiria. Cada dia era uma surpresa, cada momento era uma aventura diferente. Sem repetições, sem rotinas. Não havia um padrão entre eles. Alias... Não havia controle. Ele surpreendentemente, conseguiu fazê-la abstrair essa palavra da sua vida. Tudo acontecia der repente, sem roteiro, sem peso, sem medida. Ele simplesmente ia, e ela não tinha forças para pará-lo. E mesmo muitas vezes ela dizendo, entonando PARE, seu corpo, seus olhos, seus sentidos não obedeciam. Era como um míssil teleguiado. Como um campo sendo bombardeado. Ele surgiu e explodiu dentro dela. Deu iniciou a uma guerra onde desta vez, vencer não era o objetivo dela. 

Resistiu o quanto pode, lutou até não ter mais forças. E quando se viu cercada, acuada por aqueles olhos que não tinha cor de ouro, mas que reluziam tanto, senão mais que tal. Quando percebeu que nele, havia mais coragem pra lutar por ela, do que a coragem dela mesma em não se permitir, entendeu...

... Entendeu que ele não portava armas, porque ele não estava lutando com ela, mas por ela. 
Compreendeu que o amor dele, era mais forte do que o que todos aqueles que a fez desacreditar do amor. 
Percebeu que até ele invadir sua vida, ainda não tinha conhecido o que era amor de verdade. E desde então, tem sido assim as noites, madrugadas, manhãs... Ele a faz dormir segura, e a desperta para mais um dia. E independente de individualmente terem dias ruins, pesados, complicados, dividem, somam, multiplicam um ao outro. Se completam, sem padrões, sem rotina. 

E sobre esta manhã!? Mais uma de tantas... Ele entrou no quarto, ficou alguns minutos parado. A observando. Suas retinas registravam cada movimento dela na cama. Seus ouvidos captavam o menor ruído de sua respiração. Se aproximou de vagar, se acomodou do seu lado da cama, sorrio. Dedilhou delicadamente seu rosto, enquanto sussurrava "... acorda amor". Afastou-se alguns centímetros, encarou Morfeu friamente ordenando que a deixasse vir pra ele. O bom dia dela veio quase num grunhido, alguns empurrões e resmungos. Mas nem ouvi-la praguejar o fez recuar. Ele adorava isso. Esse mau humor matinal dela. E adorava ainda mais transformar toda aquela chatice dela, num tesão repentino. Muito filho da puta, sabia o caminho. Sabia como fazê-la sorrir em momentos que nem mesmo ela, se imaginava sorrindo. 

Antes do café, a língua dele na boca dela. Antes do espreguiçar, o peso do corpo dele sobre ela, a fazendo tremer, se contrair, despertar. E ao invés do "bom dia" ecoou pelo quarto... Goza VADIA MINHA.

 Por. Bell.B


31 de julho de 2015

Fora de Mim


Depois de um maço, muitos goles de café amargo, um banho gelado no meio da estação que mais repudio no ano. Meu coração queima. Minha alma vaga.To jogada na cama com ele. Mas ela, 'Minha alma'. Deus... Esta ai na estrada.

Saiu de mim no momento que você me tocou. No momento em que me violou com sua força violenta de mostrar que nela ainda habita ele. Ela saiu... Ele chegou. Mas você me levou. Acho que sai com você. E fiquei aqui com ele sem estar em mim.
Por. Bell.B

23 de julho de 2015

Só Eu Vivi...





 Lembro-me como se fosse ontem, o exato momento em que decidi findar tudo entre nós e começar em mim, o que nunca mais teria fim. Acreditava que aquela seria a forma mais sensata de sanar, de fazer parar, de estancar. Estava errada. Nem por um momento, desde aquela maldita noite, findou. Sanou, deixou de latejar...

Recordo dos nossos momentos como se jamais tivessem sido vividos além dos meus sonhos.  A sensação que tenho é de que esses fleches, são cenas de algum filme que assisti, de algo que li ou mesmo parte de uma canção que ouvi e me apeguei por carência na tua ausência. Éramos tão perfeitos juntos que muitas vezes eu acreditava que tudo que acontecia entre nós estava ensaiado. Como num enredo perfeito, um roteiro meticulosamente escrito. Tudo em mim (co)respondia a você. Todos os meus sentidos eram atraídos pelos teus instintos como se fossem misseis teleguiados. Estar com você, fosse como fosse, era como passar o dia no parque de diversões ou como extravasar o estresse num bom drink e uma pista de dança até os pés implorarem por repouso . Era maravilhoso, era demais...  Eu mesma já não me reconhecia sem ti. Nada que eu fizesse sem você, tinha graça. Era como se eu não existisse e todo o resto fosse nada. Você preenchia as minhas lacunas, disfarçava as minhas arestas, fazia parecer normal as minhas loucuras. O quarto já não era mais frio e repleto daquela solidão dolorida depois que você chegou. Tudo parecia completo, repleto de paz. Mas aos poucos, como num conto ou numa ficção, tuas partidas pareciam mais reconfortantes que as tuas chegadas. E a tua mania de ir sem avisar, passou a ser menos traumática. E a convivência foi se tornando suportavelmente - só - necessária. Algo em mim estava errado. Fora do eixo. Tu não me descarrilava mais. Não me causava aquela louca e prazerosa sensação da descida da montanha russa. Pelo contrário... Parecia a parada dela. Quando se sente somente o alivio e por fim, os pés tocam o chão proporcionando segurança. Fui me acostumando com o que você tinha a me oferecer e domesticando o que eu esperava receber de você. Até que naquela noite resolvi pontuar os i’s e findar essa angustiante reciprocidade. Não era o bastante pra mim. Eu amava por dois e meu peito já não suportava carregar tanto sentimento. Dividir não era a condição, continuar multiplicaria e fatalmente seria letal, somar talvez fosse à solução, e eu pensei em discutir o assunto. Mas quando chegou, seus olhos não vieram com você. E percebi isso assim que seus lábios selaram os meus sem o sussurrar de “boa noite”. Naquele momento compreendi que com ou sem você, o fardo seria único e exclusivamente meu. A boca que tocou a minha não era a tua. As mãos que me percorreram, não eram a tua. Você não era VOCÊ. E foi nesse momento que entendi que nada do que havia sido vivido, havia sido por nós. Eu senti tudo sozinha. Deixar você foi a decisão mais difícil que já precisei tomar, me convencer de que tudo não era o que era foi doloroso demais pra mim. Ver a surpresa em seu olhar ao meu ouvir foi a coisa mais assustadora que já vivenciei, mas nada era mais assustador do que nos amar, do que carregar esse monte se sentimentos sozinha. Assim como continuei sentindo até ontem. É, ontem... porque hoje acordei disposta a deixar o passado pra trás. Esse que criei sobre nós. Despertei literalmente crente de que nunca houve nada de verdade. Além da verdade que eu acreditava existir sobre nós.
Por. Bell.B

30 de maio de 2015

Whispers

e tu sussurras: - não, não afastes a boca da minha orelha.
Derrama dentro dela aquilo que não consegues dizer em voz alta.
e eu digo: - as tuas mãos queimam-me a fala. tu sorris.
dizes: - vem, sem medo, pela aridez do meu corpo.
No fundo de mim existe um poço onde guardo a tua imagem.
É tempo de te devolver. É tempo de te reconheceres nela.
Por. Al Berto

Obriga-Me

 E por que haverias de querer a minha alma na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas, obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia nem omiti que a alma está além, buscando aquele Outro.
E repito: por que haverias de querer a minha alma na tua cama? Jubila-te da memória de coitos e de acertos. Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
Por. Hilda Hilst

Ladra

 Sou uma mulher de gostos e versos. Um pouco ladra, eu diria. Roubo histórias, bordo palavras, costuro sonhos, desato pensamentos. (...) Me aproprio indevidamente de vidas e falas. Não leve a mal se por ventura algum dia o seu sossego for passear junto comigo...  
 Por. Clarissa Corrêa

7 de maio de 2015

Restinho




Encontrei sua camisa preferida enquanto arrumava a bagunça que a gente deixou. Foi o primeiro sinal que reparei de que você continuaria aqui, me arrastando prum punhado de lembrança chata, típico de relacionamento que acaba. Achei que quando você partisse seria fácil porque, sei lá, achei que a gente ia se acostumando. Mas tem sempre alguma coisa de triste, acredito eu, em alguém que vai. Pelo menos pro outro que fica. Encontrei nossas músicas preferidas gravadas nas minhas memórias, sem pretensão alguma de sair. E fui cantarolando nós dois enquanto colocava meu quarto no lugar, numa tentativa de colocar a vida no eixo, numa tentativa de te tirar de mim. Como se arrancar alguém fosse prático como limpar o quarto. Não é novidade que falhei em me limpar de você.

Ainda na cama, meio quente, daquelas coisas que acabaram de ser largadas, achei o cafuné que você me fazia antes de dormir. E pensei: como é que a gente se acostuma à ausência? Como é que eu vou me acostumar sem você? E as aulas de história que você dava quando eu não sabia sobre algum assunto, e as mensagens simples que cê me mandava às 15h30 quando sabia que eu só queria que o dia terminasse. E todo dia você fazia questão de me ver bem. Tirando o dia que você me deixou.
Eu não achei que era amor. Digo, eu falaria de amor em outros textos, colocaria amor em outras histórias. Mas não com você. Achei que com a gente tinha passado longe disso. Era paixão. Achei que tinha companheirismo, amizade, filme cult, uns porres loucos no meio da semana de trabalho e tesão. Se me perguntassem de você, eu não falaria das coisas estranhas que o coração faz a gente fazer. Eu diria apenas o quanto meu corpo procurava o seu nas noites frias. Ou do quanto meu corpo ainda te procura.
E, para a minha surpresa, de todas as coisas que você deixou, é justamente aquele restinho de amor no canto do quarto, que eu nem sabia que estava lá, que eu mais queria que você tivesse levado. Porque, porra cara, o problema do amor é quando ele resolve ficar mesmo depois de tudo já ter acabado.
Por. Karine Rosa

Não foi Suficiente



Os seus lábios tão secos e eu não consigo molhar, não é da minha saliva que você precisa, percebi isso ontem quando vi que você me beijava de olhos abertos. E depois veio um beijo na testa. Desculpe-me por isso. A gente nunca acerta a peça, você não gosta não se comove, me contou que também não gosta de teatro, não sente a emoção rodeando a sala enquanto eu tremo, eu juro que tremo, a cada cena em que a protagonista grita desespero e abandono no monólogo. Você me jura que prefere não ficção e eu queria que fosse mentira. Não é nunca foi, você me fez sentir como se eu fosse à atriz do palco, sentia nada rodeado por mim, não sei nem se chegou a sentir. É que eu sou ficção e você prefere outro tipo de companhia. Desculpa por isso também.

Sabe o que eu senti quando te conheci? Senti que talvez eu pudesse te fazer dar uns saltos, umas piruetas, te puxar pra dançar comigo e te perguntar no meio de um salão cheio de gente se você queria ser meu par. Cê não acha que eu sei dançar, não é mesmo? O problema pode ter sido esse, a gente pode ter insistido, eu posso não ter pisado no seu pé, mas você sentiu quando viu que não dava pra me conduzir. Não rolou. Nem a dança, nem a gente. No domingo eu sou sua segunda-feira, eu peso. Você retruca pra deixar pra lá, eu tento e você me diz que continua sentindo falta. Sente o buraco e ele vira abismo pra mim. Vira pro lado e mexe no cachorro, mexe no seu labrador e eu vejo o carinho, mexe nele e eu sinto como deveria ser. Não é. Eu te entendo, não sou eu.

Não deu pra te ajudar nas madrugadas de terça porque você estava no cursinho e eu não entendo de matemática. Não deu pra encaixar a conchinha na cama porque você tem pavor de que te abracem no calor. Não rolou aquela viagem porque eu queria Oeste e você sempre ia pro Leste. Não deu pra curar alguma coisa aí dentro porque não era pra ser eu, não foi comigo que você encontrou algo pra preencher o vazio.

Mas é uma pena.

É uma pena porque eu realmente queria ter te levado prum deck às 18h em ponto, queria te mostrar meu pôr-do-sol preferido. Queria ter dito no jantar de 11 de setembro que não tem problema, que você estava seguro comigo mesmo que não fosse 2001. Queria ter te explicado que todo mundo tem sua tragédia pessoal e a sua eu faria questão de carregar contigo, seja o fardo ou a parte boa. Eu queria ter sido suficiente, e dói pra caramba escrever essa palavra. “Suficiente”, que eu já acho pouco, mas bastava. Nem isso. Não dava. Mesmo que eu acordasse cedo, mesmo que eu batalhasse, mesmo que eu dissesse que sim, eu aceito ir com calma. Não era eu. Você sabia que não era eu, nunca disse, tudo bem, nunca pediu desculpas por isso também. Pessoas vêm e vão. O problema é o que fica. O problema é o que eu sinto com o que não fica. 
Por. Daniel Bovolento

22 de março de 2015

Tear


E lá esta ela revirando os guardados. Memórias empoeiradas, o coração começa bater ao som de engrenagens enferrujadas. A nostalgia toma conta de seu peito até que quente, atrevida, ela rompe seus olhos deixando rastros de saudades de momentos e tempos que não voltam mais... Mas que permanecem. 
Por. Bell.B

Negação

      Recomendo que leia ouvindo - Kings of Leon - Closer

  *Ela olhou pro lado de fora, algo se moveu rapidamente paras as sombras da noite.
                     Ela sabia quem era. Podia farejá-lo de longe.

Isso, faz assim. Fica do outro lado da rua atrás desta porra de poste, olhando aqui pra dentro como se eu não soubesse ou não fosse capaz de sentir a presença dos teus olhos famintos me devorando de longe. Enquanto você cerra o punho e fica bufando de raiva sentindo seu peito apertar, eu vou passando ora e outra na frente da janela, assim, como quem não quer nada, só pra te provocar. Vou apertar minha nuca de leve, prender os cabelos num rabo de cavalo sexy bem na mira da aresta, só pra não me ver por inteira e ficar se odiando por não estar aqui dentro laçando suas mãos entre os fios presos no alto da minha cabeça. Vou exibir minha silhueta por trás da cortina, sua visão será limitada. Exatamente como o espaço que você me dá.

Alias, acho que vou me exibir. Você parece gostar de me ver irritada com seu silêncio, e isso me faz querer te provocar calada. Então quem sabe eu debruce na janela, faça uma ligação qualquer, mande uma mensagem pra alguém. Só pra te deixar ligado. O que é desnecessário, porque no fundo, bem ai dentro, você sabe exatamente com quem eu queria falar. A voz de quem eu queria ouvir. O timbre exato de quem eu gostaria de ouvir ronronar no meu ouvido, mas foda-se. Eu é que não vou ficar aqui em silêncio, sentindo meus ossos estalarem de raiva e minha garganta secar por viver de/da espera.. Me NEGO.

Me recuso a me colocar na posição que você me faz ficar. Não vou viver de esperas. Não vou salivar pela manhã o gosto da noite passada. E passar a tarde toda no aguardo de que o filho da puta que trepou gostoso a noite inteira comigo, me mande flores. Chega! Cansei de esperas que não chegam, de momentos que se findam, de amores que só fodem comigo de tudo que é jeito. Eu quero mais. Mais que gozadas espetaculares, mais que marcas espalhadas pela minha pele. Mais que adjetivos sujos rasgados em rosnados ao pé do ouvido. Quero a carne ardendo, o oxigênio faltando, o sangue fervendo, as palavras faltando. Constâncias... Permanência!

* Apanhou o celular, acendeu um cigarro. O nome dele estava no topo da agenda. Rolou passando para o próximo numero e discou... - Oi... planos pra hoje a noite, não estou a fim de ficar sozinha.

Por. Bell.B

13 de março de 2015

Drug



Faz tempo que não põe o nariz em mim. Aproveita agora, cheira. Estou só o pó. Prepara uma carreira, leva-me pra dentro de você mais uma vez. Tua ideia sempre foi me usar, não é? Então usa, qual é? Usa, mas não abusa. Com apenas um tiro já posso lhe garantir suspiros. Pega leve, só que pega com vontade.
 
Sou estimulante poderoso para o seu consumo. Não sou farinha do mesmo saco, sou puro. Sou pó cristalino, mas não devastador. Minha intenção contigo é afastar a dor. Elevar a temperatura do seu corpo, provocar espasmos e orgasmos. Pare de dizer não e volte a ser presente. Não quero que fique dependente, quero apenas que fique. Me aspira da mesma forma que me inspira.
Sua lágrima vai secar assim que teu olho dilatar. Não espere o vento bater e me levar. Ainda temos muito amor pra amar.

  Por. Hernani Lélis

The End

Sei que agora, nesse exato segundo, eu estou ultrapassando as barreiras que foram impostas a nós. Sei também que não devia estar fazendo isso, mas estou. E é pela última vez, eu juro. Você não tem noção do quão difícil está sendo lhe escrever de novo. A cada ponto final de cada frase o meu corpo se estremece, minhas mãos suam, meu pescoço estala e eu sequer cheguei na metade de tudo o que quero te dizer. Aliás, acho que o fim do que eu sempre quis falar nunca esteve, de fato, próximo assim. Mas hoje é diferente. Eu não vim te agradecer, porque já fiz isso em outros milhares de textos. Eu não vim te xingar ou expor os seus defeitos, porque isso eu também já fiz. Eu não vim, em hipótese alguma, me rebaixar como em tantas outras vezes. Hoje, agora, eu vim fazer o que demorei cerca de quase dois anos pra ter coragem suficiente: colocar um fim em tudo isso. E o tudo inclui você, eu, nós dois, minha vaquinha de pelúcia e a música “Nosso Xote”. Eu queria que você soubesse que, querendo ou não, a sua presença na minha vida foi um divisor de águas nela. Seria em vão dizer o quanto você me fez bem, porque isso está cravado em quem eu sou. Ou melhor, em quem eu fui. Aquela garota que não sabia mais respirar, viver ou sorrir sozinha, hoje sabe - e como sabe! A verdade é que você me quebrou, cara. Do mesmo modo que me reconstituiu no início, no fim você me deixou trilhões de vezes pior. Eu pensei que com você eu era alguém melhor, mas era comigo que você se tornava alguém bom. E tudo o que eu senti, tudo o que eu te disse e principalmente tudo o que eu não te disse, tudo, tudinho, foi de verdade. Eu pensei que nunca conseguiria olhar pra outra pessoa com mais afeto do que eu olhava pra ponta do seu queixo. Eu pensei que nunca mais o meu coração se estremeceria tanto dentro do peito por outro alguém. Eu pensei que jamais deixaria de esperar por você, de querer você, de amar você. Mas eu estava enganada.

Meu querido, você já foi meu. E admitir que não é mais, também não machuca mais. Será que algo dói em você, nem que seja o seu mindinho do pé? Não importa. Perguntas como “será que ele sente falta?” ou “será que ele volta?” deixaram de ter um valor significativo. O “será” não é mais uma hipótese amedrontadora. E isso é tão, mas tão bom de dizer. Talvez você conheça a sensação, afinal, ela o tocou primeiro. Mas o que importa é que ela, enfim, me tocou também: a sensação de liberdade. Olhe como eu respiro calma e tranquila agora. Olhe como os meus olhos permanecem sem lágrima alguma ao afirmar isso. Olhe como eu olho a vida colorida e risonha, mesmo sem você. O tempo passou, percebeu? Eu acabei de me dar conta disso. E o melhor: sem rastros tristes, sem traços de raiva, sem amargura alguma. Eu pensava que jamais me libertaria das correntes que me prendiam ao nosso trem, mesmo que ele estivesse sempre vazio, tanto de passageiros quanto de sentimentos. Eu me enganei, de novo. E nunca pensei que estar enganada trouxesse uma paz de espírito assim.

Se você tiver seguido o meu conselho, posso ter a certeza de que continuas uma pessoa de bom coração. O seu objetivo não era me causar mal algum, eu sei. Mas o fim não justifica os meios e, infelizmente, os meios podem ser dolorosos. Eu joguei toda a culpa pra cima de mim, depois pra cima de você, até que a joguei fora. Não existe culpa. O que existe, na verdade, são dois corações calouros em busca da felicidade. E quem nunca quebrou a cara tentando ser feliz, não é mesmo? A gente não vai ter pena de morte por isso, por mais que tenhamos morrido inúmeras vezes nessa brincadeira estúpida de gostar. Alguém há de perdoar a nossa imprudência. A gente há de se perdoar, algum dia. Mas, hoje, eu queria que você tivesse a absoluta certeza que não existe mágoa alguma em mim. Eu sei que o seu maior medo era que eu te achasse um filho de puta, mas por incrível que pareça, eu não acho. Não mais. O seu nome já foi o meu maior medo de ser lido, a sua voz já foi a minha maior vontade de ser escutada, o seu rosto sempre vai ser o meu maior anseio. No fundo, no fundo, eu nunca vou deixar de gostar de você. Mas com certeza vou aprender a amar outras pessoas. Ou melhor, acho que já aprendi.

Perdi a conta de quantas vezes eu quis você de volta, nem que fosse pra dizer que estava tudo bem, que estava comigo, que me ouviria a madrugada inteira se fosse preciso. Perdi a conta de quantas vezes quis te ligar pra você ouvir, através dos meus soluços, o tamanho da minha dor. Perdi a conta de quantas vezes implorei pra sentir de novo um pouquinho da felicidade que era estar ao seu lado. Perdi a conta, perdi o rumo, perdi você e me perdi de mim. Pensei que viveria para sempre dentro de um pesadelo sem fim, mas, pela terceira vez, estava enganada. Mas uma coisa é certa: eu nunca fui tão transparente quanto fui com você. Nunca, em toda a minha vida, me expus tanto a um sentimento. Nunca fiquei tão pele e osso na frente de alguém, mesmo que metaforicamente falando. O que eu quero dizer é que eu fui quem eu jamais pensei que seria. Você transformou as minhas partes ruins em partes toleráveis, e as minhas partes boas em partes invejáveis. Obrigada por isso. Obrigada, de verdade.

Não queria que isso se tornasse cansativo, monótono ou exagero demais, mas você, mais do que ninguém, sabe o quanto eu odeio ser previsível e o quanto eu consigo ser isso quando escrevo. Ainda mais se o destinatário tem o seu nome. Queria que você soubesse que eu não sinto mais aquela compulsiva vontade e necessidade de encher papéis com trechos de qualquer coisa que me vem na cabeça. Hoje em dia eu silencio as minhas ideias e guardo as dores pra mim, como sempre fiz antes de quebrar as barreiras e compartilhá-las com você. Não dói mais, acredita? Dormir sem o seu “boa noite” não dói mais. Não ter o seu colo, o seu ombro ou as pontas dos seus dedos gelados fazendo carinho no meu joelho não dói mais. Não dói ver as fotos, escutar as músicas ou sair de casa e conhecer gente mais interessante e divertida que você. Eu posso, enfim, dizer que estou curada. O tempo me curou de tudo aquilo que eu pensei ser incurável. E a vida tomou um novo rumo, eu estou seguindo outro caminho, a luz do sol nunca brilhou tão forte assim. É lindo admitir que o passado passou. Se você ler isso - e eu sei que você vai ler, um dia, mas vai - eu espero que nenhuma ponta de arrependimento te toque um pouco mais fundo. Mas espero, de todo o meu coração, que você encontre alguém tão bom ou até melhor do que eu fui ou tentei ser. Jamais duvide do quão maravilhoso você é, por favor. Eu prometo também jamais esquecer que, apesar de toda essa minha estrutura meio enferrujada, no fundo eu também sou esse tal alguém maravilhoso que você enxergava em mim.

Chegamos ao limite. Fim do segundo tempo, baby. Vamos encerrar o placar de 0x0, pois tentar marcar qualquer ponto nesse jogo de alucinados é loucura - é tortura, pra ser mais específica. Não vou te pedir pra que não me telefone mais ou pra que pelo-amor-de-Deus-me-telefone. O triste é ver que todo aquele amor virou um mero “tanto faz”. E mais triste ainda é reconhecer que eu não tenho mais motivo algum pra fingir que sou forte o bastante e aguentar tudo sozinha. Eu desabo mesmo, choro mesmo, grito mesmo, bato o pé mesmo. A melhor parte de você ter saído da minha vida, é que eu tive espaço pra entrar nela. Por mais que não tenha mais sentido escrever sobre o que fomos, tampouco tentar escrever sobre outras pessoas procurando os seus traços no meio das palavras embaralhadas. Não foi perda de tempo te amar, te esperar, te querer. Mas confesso que seria perda de tempo viver pra sempre em uma bolha impregnada com o seu cheiro. Obrigada pela sua parte que me fez feliz, e obrigada ainda mais pela sua parte que me fez sofrer - ou melhor, crescer. Eu não queria que isso ficasse nostálgico, mas foi impossível. Peço perdão por isso, mas não me culpo por todo o resto. Não se culpe também. Foi bom e teve fim… Está tendo um fim. Se precisar ter a certeza de algo, eu te peço pra ter apenas de duas coisas: a primeira foi que eu te amei; a segunda é que essa é a última vez, em toda a minha vida, que eu escrevi sobre você.
Por. Capitule

24 de fevereiro de 2015

Baguncei Você

Eu queria te bagunçar, sim. Mas a bagunça que eu buscava envolvia só cabelos desgrenhados, roupas amassadas, lençóis pelo chão. Queria, talvez, uma bagunça no seu escritório, tipo aquelas cenas de filme, em que a mulher chega de surpresa, tira as coisas de cima da mesa para ela poder deitar. Era essa bagunça que eu queria e não a que eu causei.

Desculpa pelo amor sem medidas que você me deu. Eu não tinha a quantia necessária para retribuir de forma justa, mas achei que conseguiria alcançar algo semelhante um dia. Por isso deixei acontecer. O que eu não percebi é que, quanto mais eu permitia, menos eu sentia. No fim, não era amor… É que você me fazia um bem danado pra eu abrir mão tão fácil.

Desculpa o meu egoísmo filho da puta. Acredite, eu me odeio por saber que te baguncei nesse tanto. Eu te vejo sem saber o que fazer agora, já que joguei todos os nossos planos fora. Eu os quis, sabe? De verdade. Eu queria ter ido conhecer sua família em Minas Gerais nas últimas férias. Queria ter adotado um cachorro vira-lata. Mas, o que seriam deles hoje? Seriam mais corações partidos (por mim).

Aguentar o peso do seu coração nas minhas mãos não é fácil. Eu queria que você voltasse a sorrir como antes. E quero muito que você não tenha medo de amar assim de novo. Ame! Eu é que sou o problema – por mais clichê que isso possa parecer. Você ama bem. Ama de verdade e isso é tão raro hoje em dia. Eu sou prova disso… Você deu azar ao me escolher.

Se eu pudesse, voltaria no tempo. Passaria reto por você naquele bar. Não tomaria a cerveja que você me ofereceu. Não teria te passado o meu número nem teria aceito o seu convite para a semana seguinte. Não teria deixado você se apaixonar por mim. Não teria te machucado. Não teria sido eu.
                                                    Por. Leca Lichacovski

Sou como Sou

Eu sou bem assim, ora digo que quero sumir, noutras quero me guardar dentro de você. Minha língua se enrosca com as palavras, mesmo quando estou com o discurso ensaiado na ponta dela. É foda... Eu não consigo exercer a educação que me foi passada quando to puta, to puta de raiva. E meu analista já me disse que falar palavrões é terapêutico. Então foda-se se eu não sou como aquelas garotas meigas e doces. Eu não tô nem ai pro que acham ou pensam de mim. Ser como sou, não implica em ser alguém que só se importe com o próprio umbigo. Mesmo parecendo ser isso. A verdade é que eu me importo sim, eu me importo demais com tudo, com as pessoas, com o mundo. E não ser capaz de carregar tudo nas costas ou abraçar de uma vez só todo o mundo, me deixa assim. Revoltada... Então pra dar certo, ou ao menos tentar dar. Ignore as minhas crises de TPM'M, grita de volta quando eu aumentar o tom e me sacode mandando eu calar a boca, e em seguida me puxa pro colo me levando pra cama. Dormir!? Fazer amor?! Discutir?! Trepar?! Tanto faz, mas que seja no mesmo lençol, do mesmo lado da cama. Ignora meu choro que rompe do nada, ri comigo das infinitas abobrinhas que contrastam meu lado intelectual, mostra pulso. Aquiete meu lado autoritário e egocêntrico a pulso. Ele não é tão forte assim quanto parece ser. E não me conte histórias... Odeio os contos de fadas, onde os príncipes são Mauricinhos e chegam montados no cavalo branco. Doma o leão que guardo no peito. E foda-se o muro que construí. Dá com a sola do pé na porta e arrebenta, me arrebenta! Entra, invade, toma. Não sou de ninguém, nem de mim mesma. Preciso que cuidem de mim, melhor do que tenho cuidado de mim mesma...
Por. Bell.B

21 de fevereiro de 2015

A Dama e o Vagabundo

A gente vai ser feliz. Assim, no gerúndio mesmo. Sem ele fica parecendo frase de conto de fadas e isso é real, bem real. Não é fantasia. Não começa com ‘era uma vez’, porque não éramos. Somos e aqui estamos. Você ai e eu aqui, mas estamos no mesmo livro, na mesma história. Isso não é lenda, onde os bonzinhos são sempre bonzinhos e os malvados, malvados. Se fosse uma fábula eu seria o sapo que tenta virar príncipe desde o seu beijo. Não esses príncipes com cara de viadinho da Disney, mas uma versão menos romantizada, que bebe cerveja e anda de carro sujo e velho no lugar de um cavalo branco.

Já você seria o coelho branco. Mesmo sem relógio, pensa que está sempre atrasada. É branquinha, fofinha e corajosa. Num dos seus corre, acaba encontrando Alice e a leva pra outro mundo, o das Maravilhas, dando início a uma bela epopeia. Mas, como disse, isso é realidade. E ela dói. Não serve pra fazer criança dormir. Faz até a Bela Adormecida acordar. O veneno não está na maçã oferecida pela princesa, mas na nobre atividade de amá-la. Morder esse sentimento implica em aceitar que toxinas pesadas corram pelas veias. Alucinógenos como o apego, ciúmes, obsessão, raiva e mágoa acabam tomando conta da sua mente e levando-o para Terra do Nunca, onde passa a se comportar como criança.

Você vai querer cheirar pó de pirlimpimpim e encher a cara de suquinhos gummi. Sua barba vai crescer igual as tranças da Rapunzel e, se não tomar cuidado, vai terminar fedendo feito o Shrek. A toxina vai afetar ainda a sua visão, fazendo com que passe a enxergar aquela linda princesa como uma bruxa. Suas orelhas de Dumbo também ficarão prejudicadas, não escutará nada e ninguém. Uma hora vai se sentir grande e forte como o gigante. Em outras, pequeno e insignificante feito o grão de feijão do João. Rejeitado igual ao patinho feio.

Para evitar que a carruagem do amor vire abóbora, tome às rédeas da vida. Controle o veneno que corre nas veias e abocanhe sem medo a maçã mesmo que encontre dificuldades de cravar os dentes em algumas partes. Sua princesa, a minha princesa, vale cada dragão que tiver que enfrentar. Lute bravamente pra domar os fantasmas que o assombram. Caminhe de mãos dadas com ela na floresta e não pare pra comer doces. Escale a porra da torre sem pensar no tamanho da queda. Não desista. Não desisto. Acredite, nossa história não tem fim. Juntos, seremos felizes para sempre.
                                                           Por. Hernani Lélis