5 de outubro de 2016

Ela (Escolha) VI

Fui atrás dela, não do jeito que ela esperava ou talvez imaginasse, mas fui. Vez por outra dava um jeito de chamar a atenção, de me fazer enxergar, eu tentei. Juro que fiz tudo que acredito ter sido possível pra que ela entendesse meu arrependimento, minha necessidade de estar com ela, à falta do caralho que ela me fazia/faz. Repito, cantei, escrevi cartas, deixei rastros, até casualmente puxava assunto sobre algo que fizesse a conversa rumar até ela. Tentar a ponte, provocar a curiosidade nela de quem sabe “querer saber o porquê de eu estar ainda falando sobre ela ou querendo saber sobre”. Maldita! Em momento algum ela pareceu estar a par de tudo, embora eu aposte no “descaso estratégico” dela. Ela quando quer se faz mais fria que Ridge. E puta que pariu, como isso feri. Ficar ali, na expectativa se consegui ou não tocá-la é pior que esperar na fila da morte. Ao menos nesta fila, se tem certeza, já na dela... Ual!

Hoje me peguei pensando no dia em que ela “autoritariamente” me pediu pra ler a carta... Tentei hesitar, argumentar, mas ela sabe bem como comandar a cena quando quer. Rapidamente passei os olhos em cada palavra antes de subir o tom. Pensei por alguns segundos que eu não conseguiria. Acho que na altura do campeonato, estava já, um tanto descrente daquilo. Mas mesmo assim prossegui. É claro que eu poderia afirmar que o fiz por gentileza, ou pra não ir à contramão do que havia riscado ali anteriormente, mas quando orei a primeira frase, meu coração acelerou. Firme, prossegui li cada palavra como se aquele dia fosse o ultimo, e quando terminei, o silencio dela embora curto, foi ensurdecedor. Confesso que naquele momento não consegui prever sua reação. E isso foi ainda mais assustador. Eu a conheço tão bem, talvez mais que a mim mesmo. Ela balbuciou alguma coisa, mas eu estava tenso demais pra retrucar ou mesmo iniciar um assunto que pudesse puxar uma conversa, já era tarde e havia me esquecido de alguns de seus compromissos. A ligação se encerrou e por um momento pensei que ela tivesse desligado, eu tentei retornar, mas por cair na caixa desisti depois da primeira tentativa, foi melhor assim. Depois nos falamos por mensagens e ela explicou que a ligação caiu e que também tentou retornar. Depois que li a mensagem dela acabei rindo. Engraçado como a insistência vai diminuindo quando determinados fatores se instalam no caminho. Se fossem alguns meses atrás, passaríamos a noite inteira tentando nos comunicar. Pior... Sem duvida quando conseguíssemos ela surtaria. Entre todas as coisas que a tiravam do sério, uma delas era “ouvir o terceiro toque da chamada”. Como isso a irritava. O mundo todo poderia ligar pra ela, e certamente ela caminharia até o aparelho com a maior calma, fossem dois, três, vinte toques. Agora com ela não, AI DE VOCÊ, NÃO ATENDER NO SEGUNDO. Puta que pariu, o discurso era longo.

Por fim, depois disso não mais liguei, ela também não retornou. Tudo ficou subentendido ou enterrado num canto onde não sei bem ao certo como definir. Quando o assunto é a “sua mente” o acesso é além de um puta labirinto, restrito. Nunca se saberá com exatidão o que de fato ela esta pensando ou se esta. E essa é uma das coisas nela que me enlouquecem. Isso é o que fode comigo. Sentir e saber sobre o que ela sente e não conseguir premeditar suas reações. Engana-se quem pensa estar sempre a um passo a sua frente. Ela insiste em dizer que é um livro aberto, que não tem segredos, que responde, mostra e esclarece qualquer duvida, mas cada vez que ela me responde uma inquietação, faz brotar um novo mistério. Eu estou cansado. Sinceramente?! Estou farto! Eu já vivi pra caralho, já superei situações das quais nem imaginaria que seria capaz de suportar. Eu sei que não estou preparado pra te esquecer, sei também que isso muito provavelmente jamais irá acontecer. Certas pessoas passam por nós e deixam rastros que nem mesmo o tempo será capaz de apagar. Mas assim como não estou pronto pra me curar de você, também não estou disposto a desfalecer por esse sentimento pelo qual acreditava que me faria viver.

Eu também achava que seria impossível largar o cigarro, e veja só... Fui diminuindo, depois optei por esses adesivos e comecei a usar o eletrônico. Logo, as crises de abstinência foram diminuindo, meu corpo desintoxicando e minha mente compreendendo que eu não precisava mais daquilo. Força de vontade, decisão, escolha! Eu escolhi parar, decidi que não poderia continuar refém de algo tão banal e destrutivo. Não se ofenda, em momento algum estou lhe comparando aos malefícios e degradações que o cigarro causa ao organismo, estou apenas esclarecendo (você adora essa palavra, “esclarecendo” não?! rs) minha postura em relação as minhas decisões. Acho que você deveria fazer o mesmo, esse fode ou sai de cima não é pra mim. E por mais que eu queira “ser pra você”, não posso entrar na tempestade, tira-la da chuva, e trazê-la pra casa, enquanto você continuar a ser para-raios.

Por falar em raios, dia desses os trovões assustavam lá fora, eu fiquei deitado na cama pensando em quantos temporais foram nossa trilha sonora, em quantos cafés e cigarros fumamos aqui dentro deixando os cômodos impregnados do cheiro do tabaco e do nosso suor. Repuxei o nariz, fiz uma careta, imaginei você fazendo varias, se ainda estivesse comigo, me satirizando por agora implicar com isso. Senti uma pontinha de vontade de tragar, de leve, longe, nada enlouquecedor. Sorri outra vez, olhando aquele vazio do meu quarto, cheio de ti por todos os lados. Murmurei um foda-se pra vontade de fumar e me rendi ao desejo de me dar varias overdoses de você e continuei ali. Te vi passar pelo pé da cama enquanto saia do banheiro enrolada na toalha e com a outra esfregava no cabelo. Meu quarto foi invadido pelo vapor do chuveiro, e me lembro de vê-la soltar a toalha e deitar em cima de mim. O cheiro do teu cabelo molhado, a temperatura quente do teu corpo devido ao banho escaldante que sei que ama tomar e as ruguinhas nas pontas dos teus dedos deslizando em meu peito de tanto demorar debaixo d’água, são as coisas que mais gosto de lembrar. Ahh menina se soubesses, se conseguisse compreender que a falta que me faz é maior do que minha coragem de te resgatar dessa tempestade, certamente sairia dessa chuva e voltaria pra casa.

Eu sei que não posso mudar o que já foi feito, mas uma vez você me disse que podemos acreditar no impossível e assim, ele será possível. Eu acredito mas não posso acreditar nele, sozinho. Escolha acreditar comigo.
                                                                       Por. Bell.B

4 comentários:

  1. Doce Novembro e Ana Júlia de Los Hermanos.

    Sem comentário longo hoje, amanhã faço um comentário mais decente rs


    ps.: Carol, se passar e ler esse comentário, poash, passa pelo meu cantinho e nem deixa um comentáriozinho? #xatiado

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    1. Los Hermanos... Tempos que não ouvia. Como dancei Ana Julia em festas pqp. Já esta outra "Doce Novembro" não encontrei, seria uma versão do Marcelo Camelo? Porque a que conheço é Doce Solidão.

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  2. "Fui atrás dela, não do jeito que ela esperava ou talvez imaginasse, mas fui."
    Exatamente isso que aconteceu, só que ao contrário do que imaginei o diálogo não fluia já que eu só lia/ouvia...

    * certo
    *talvez
    *de nada
    *acredite
    * então tá

    Eu bem que tentei falar de outros assuntos mas o único assunto que realmente importava a ela(você) era o que tinha acontecido lá atrás.
    Como te disse eu já não sei mais o como devo agir com vc, se devo OMITIR algumas coisas ou se devo dizer a verdade como fiz naquela tarde e provocar mais uma guerra, guerra da qual eu sei e tenho certeza que não estou pronto para ela já que eu é quem sairia fodido.
    Cantei, escrevi cartas, deixei rastros, e fiz algo tão idiota tentando chamar a atenção, usei uma foto em uma rede social que sabia que gostaria já que dizia amar aquele sorriso.
    É. Não deu certo também.
    E é verdade, quando vc age tão friamente assim machuca pra caralho.
    Quantas vezes já me mandou calar a boca depois de me ligar e eu demorar um pouquinho a atender? PQP! Perdi as contas. Se bem que VC não tinha do que reclamar já que me lembro que um certo dia te liguei por mais de
    20 vezes e vc não atendeu (lembra?).
    Hoje já nem sei mais como está meu nome na agenda do seu telefone, e sinceramente acho que não quero saber.
    Muitas coisas se passaram pela minha cabeça desde a nossa última conversa, e pelo que vc me conhece sabe bem como funciona minha cabeça não é? Ainda te vejo por ai, te olho, te leio (aqui não muito e vc sabe o pq), o cigarro até que foi fácil parar e mostrar que tenho mais força, mas com vc fica essa dependência te saber o que está fazendo, pensando. Vai passar? Não sei, e como vc bem sabe eu não faço nada forçado.

    Vi esse texto e logo me lembrei de vc...

    "Por favor você pode parar? Sei que este silêncio não machuca só a mim. Eu sei, ou quero que seja assim, então por favor, pare de agir como se não desse a mínima, mostre que se importa comigo, de verdade, não só de vez em quando. Eu já te disse tantas vezes que se me calo algo está errado, e mesmo assim você ignora meu silêncio, e eu não consigo entender como e porquê. Mas por favor, pelo nosso bem, vamos quebrar este silêncio, pois nada sufoca mais do que essas palavras engolidas."
    (Camila Melo)

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    1. Antes mesmo de ler aqui, já havia lido diversas vezes "esta mesma carta" no teu canto. Não que eu não leia e não "sinta as demais", mas algumas coisas que você diz, ME PEGAM de um jeito que fica complicado responder. E imagino que você deva ter se surpreendido ao ver que "me disse tantas coisas" nesse comentário, porque SIM, eu o conheço.

      Você diz que "não deu certo" tudo que fez até agora, bom... eu não sei como deixar mais do que CLARO, que tem dado. Afinal, estamos no sétimo capitulo de uma história que "sinto" que jamais terá fim.

      Sobre o que passa ou não pela cabeça, fantasmas nos assombram. Mas individualmente, tenho certeza ABSOLUTA que eles não nos deixaram em paz. Esse é um exorcismo que teremos de fazer juntos (assim penso eu). Quando ao "interminável inverno" por mais que você acredite não ser, também há nevascas vindas de você. Acontece que "sente melhor" quem esta do lado de fora. E talvez por isso eu lhe pareça tão mais fria. Aqui do lado de fora faz tanto frio quanto ai. E como você já esta farto de saber, não calculo, e não faço isso por fazer. Apenas reajo desta forma sem saber o porque.

      Tudo isso não é novo pra você, o que esta entre essa situação familiar (silencio) é um fato, e este não podemos mudar, como não podemos mudar outros. Mas podemos aprender a lidar com tudo isso, desde que haja verdade, eu não sei lidar com omissão e vc sabe disso. E essa sua questão...

      "Como te disse eu já não sei mais o como devo agir com vc, se devo OMITIR algumas coisas ou se devo dizer a verdade como fiz naquela tarde e provocar mais uma guerra, guerra da qual eu sei e tenho certeza que não estou pronto para ela já que eu é quem sairia fodido."

      ... me deixou ainda mais as cegas. Porque ao mesmo tempo que leio tuas "cartas" e sinto que posso (podemos) encarar e passar por tudo, sinto também que daquele ponto em diante, você sempre se policiara e pensara mil vezes antes de me dizer algo.

      E não vejo como dar certo, algo que não for honesto e claro. Vc me disse uma vez que prefere a verdade ainda que ela doa.

      Também penso assim, a verdade pode arrebentar, mas a possibilidades de cicatriz. Já a incerteza e a mentira, será sempre uma ferida aberta, latente e prestes a explodir.

      Então MHS, seguindo o que me pediu, "pelo nosso bem..." estou rompendo o silencio, saindo da bolha e fazendo o que sempre fiz muito bem. Falando o que sinto e penso sem filtros, porque eu posso levar um tempo, mas eu não deixo nada do que preciso dizer, sufocar o meu peito.

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