30 de setembro de 2013

Em Aberto...


Você é aquilo que ninguém vê. Uma coleção de historias, estórias, memórias, dores, delicias, pecados, bondades, tragédias, sucessos, sentimentos e pensamentos. (…) Um eterno parêntese em aberto, enquanto sua eternidade durar.
Por. Machado de Assis

Ia Bem..


Ela acordou com o sorriso largo, coisa rara de acontecer. Embora não tivesse acontecido nada sobrenatural no dia anterior, despertou com tamanha leveza que se fosse possível, levitaria ao invés de se levantar da cama. Permaneceu deitada por mais ou menos uns 30 minutos, depois de se espreguiçar levantou. Passavam das 13:00 mas como não tinha nenhum compromisso para o fim de semana, não se apressou em fazer nada. Logo que saiu da cama, ligou o som, e sem nem saber o que iria tocar, aumentou ao máximo o volume. Fodam-se os vizinhos, as multas pela lei do psiu, ela estava pouco se lixando pra isso. Estava feliz demais. Enquanto fazia o café, sorria lembrando-se da noite passada. (do sorriso dele, do jeito como gesticulava ao falar, do tique... ajeitava o cabelo mais vezes que ela enquanto conversava) Sempre muito detalhista, minuciosa, observadora, não deixou quaisquer detalhes passar desapercebido. Se perdeu no tempo em que ficou ali, repetindo e repetindo as cenas. Parecia querer gravar o que nitidamente, já estava impregnado na sua mente. Assim que o café ficou pronto, o tomou calmamente, fumou alguns cigarros e voltou para cama, afim de descansar mais um pouco.

A música fazia a trilha da tarde, as frases, as perguntas, as dúvidas se espalhavam pelo teto, pelas paredes do quarto, tudo dentro da habitual confusão mental que era ela. Sorria sozinha, ora sua feição se fechava como se quisesse intimidar alguém. Mas quem? Só havia ela no quarto... Na casa! Louca... Completamente louca, divagava, refletia, filosofava. Sempre tão sonhadora, tão longe do chão pra alguns quesitos da vida. Talvez por isso quebrava tantas e tantas vezes a cara. O curioso nisso tudo, nesse modo de agir/pensar/viver dela, é que ela sempre arrumava uma maneira de se recompor, se refazer, estivesse com alguém ou sozinha. Talvez fosse seu dom Phoenix de ser. Ou fosse só a sua habilidade em se restaurar. Vai saber...

... As horas foram passando e subitamente uma vontade louca de ligar pra ele começou a inquietá-la. Deste momento em diante, começou a travar uma batalha. Não queria parecer oferecida e nem passar a ele a impressão errada. Sempre fora tão impulsiva e isso meio que a prejudicava. Não podia começar da forma errada, se é que algo se iniciava. Não que queria alimentar expectativas, até porque, sempre que fazia isso se decepcionava. 1x0 pra razão. Conseguiu se conter e não ligou. Mas é claro que desejava que ele ligasse, assim poderia colocar seu plano B em pratica. Estava certa de que desta vez seria diferente, completamente diferente das ultimas vezes. Se daria certo, se não daria, não queria saber, arriscaria. Afinal, não dizem por ai que acasos não acontecem e que o destino é quem dá de fato as cartas? Pois bem... esperaria a chamada. O que ela não esperava, era receber antes da ligação dele, uma mensagem inusitada. Tudo até aquele exato momento ia bem. Como diz o verbo... Ia.
Por. Bell.B

29 de setembro de 2013

The Voice

O dia passou tranquilo e enfim o tão esperado final de semana chegará. O vento soprava tão lentamente que sequer tinha forças para inclinar as pequenas partículas de água que insistiam em querer cair e estragar a tão esperada noite de sexta-feira. Mas isso de maneira alguma, atrapalharia seus planos. Nem chuva, nem frio, nem nada. Embora detestasse esse clima, por dentro, um jardim havia florido, antes mesmo da primavera chegar.  Ardia em seu peito uma chama tão descontrolada, que se houvessem olhos no Astro Rei, certamente morreria de inveja ao vê-la ofuscar maior calor do que si próprio, nomeado até então, a maior Estrela. Entrou em casa, atirou as chaves sobre a mesa, a bolsa no sofá (como de costume), e clicou acima do led da secretária eletrônica que acusava 4 mensagens. Foi tirando a roupa e seguindo para o banho enquanto as escutava.

1º Mensagem: Tentei ligar no seu cel, mas a operadora informou "fora da área de cobertura", liguei sei lá quantas vezes no escritório e nada, agora ligo aqui e cai na caixa, aonde se meteu? Me liga! (era seu irmão, pelo desespero, de certo iria pedir pra que ela fizesse algum trabalho de faculdade, perderá as contas de quantos TCC's fez pra ele, retornaria no domingo, não queria arrumar compromissos que a fizessem ficar em casa.)

2º Mensagem: Meninaaaaaaaaaaaa, tudo certo pra hoje à noite? Tô indo pra casa, nos encontramos no barzinho. Beijos "Miga". (soltou uma risada ao ouvir o "miga", detestava esse diminutivo chulo que passou das redes sociais para o vocabulário pessoal do povo, e sabia que a suposta, havia dito de propósito, por saber que ela detestava.)

Apanhou o roupão e enquanto esperava as duas últimas mensagens para seguir pro banho, apanhou um café. Acendeu um cigarro e voltou para a sala. 1 minuto passou e curiosamente a terceira mensagem não dizia nada. Franziu o cenho e quando estava se aproximando pra pular a mensagem, a quarta mensagem entrou. Deu um passo para trás e sua curiosidade aguçou quando uma voz desconhecida começou a falar...

4º Mensagem: Oi... (uma pausa não muito longa) Eu não sei por onde começar mas... (uma pausa maior, seguida da tentativa frustrada em abafar a respiração que ofegava) Você não sabe quem sou, na verdade talvez já tenha me visto, só nunca nos falamos de fato. Te vi algumas vezes num barzinho. (um sorriso leve cortou a frase e desta vez a respiração acelerada alternou um pouco o tom que nitidamente não parecia nada tranquilo) Você deve estar se perguntando como foi que consegui seu telefone, então adianto-lhe que foi uma mocinha muito simpática que me passou, alias, ela me pediu pra não contar que foi ela, mas fiquei receoso e com certo medo de pensar que sou um maníaco psicopata. Inclusive ela me garantiu que não teria problemas em te ligar, até liguei antes, mas por não saber o que falar desliguei. Enfim, acho que estou falando demais agora e isso deve estar te deixando se não apavorada, muito curiosa. Espero que seja a segunda opção. Estarei no barzinho por volta das 23:00 e espero encontrá-la por lá hoje. Então... me daria o prazer de sua companhia? (outra pausa) Até lá.

Tudo à sua volta desapareceu, focou em cada pequeno ruído, como conseguirá seu número já sabia, (filha da puta, como passou meu telefone assim? Mataria a "miga" mais tarde) tentou reprojetar as noites no barzinho para tentar visualizar o suposto admirador, mas nada... Não conseguiu lembrar de nenhum olhar mais fixo nela, ou ninguém que tivesse deixado pistas de querer conhecê-la melhor. A voz rouca e centrada, embora meio tremula não lhe era familiar, começou a projetar uma face para aquela voz mas logo sacudiu a cabeça e muito intrigada seguiu ao banho. Agora é que não deixaria de ir ao barzinho por hipótese alguma. Assim que terminou o banho, foi ao guarda-roupas e o abriu. A primeira ideia era calça jeans, e uma blusinha qualquer, mas agora as coisas haviam mudado um pouco. Era de sua natureza chamar a atenção, gostava de valorizar suas curvas, marcar bem seus olhos para ressaltar seu olhar extremamente misterioso e sedutor, mas mediante a nova situação, sentiu-se perdida. Ele sabia quem era ela, mas ela não fazia ideia de quem seria ele. Optou pelo jeans casual (que já tinha em mente) e uma blusinha branca com uma fenda belíssima em V que acentuava ainda mais seu colo. Trocou-se e colocou-se diante do espelho para a ultima avaliação antes de passar o perfume. O espelho a reprovou. O decote... Estava lindo, mas passou pela sua cabeça, que poderia estar passando uma imagem vulgar logo no primeiro encontro, embora ela não fosse nada vulgar. Tirou aquela e colocou uma mais fechada, estava frio, então também apanhou um jaqueta e um cachecol. Colocou-se mais uma vez diante do espelho e sorrio. Aprovado! Apanhou as chaves e saiu.

No caminho foi imaginando milhares de coisas, mas nenhuma delas tinham nexo. Sorria, sacudia a cabeça, ia trocando as estações do rádio. Cantava junto com as músicas, ora e outra errava um refrão bastante conhecido, pudera... estava ansiosa, curiosa, aflita demais. Detestava esse tipo de situação, alias, esta era uma situação nova pra ela. Estava na porta do bar, a fila pra entrar estava enorme. Do carro ligou para amiga e pra sua surpresa, ela não viria. Seu pai havia passado mal e ela estava no hospital com ele. Adiantou-lhe por cima que havia dado seu telefone para uma pessoa, mas quando ia dar maiores detalhes, precisou interromper a ligação. Pronto. Agora ela estava além de curiosa, NERVOSA. E com uma vontade enorme de socar a amiga da onça que a colocará nessa sinuca de bico. Respirou o mais fundo que pode, tomou coragem, entrou na fila. As pessoas falavam sem parar, o som de dentro da casa ecoava pelo quarteirão todo, havia uma variedade enorme de etnias, estilos, pessoas. Cada um com um sotaque ou uma gíria diferente e o mais curioso é que ninguém parecia se importar com quaisquer diferenças entre eles. Estavam todos a espera de entrar num mesmo lugar e curtir a noite, sem se importarem com gêneros, números ou graus. Ela adorava aquele lugar, há algum tempo não o frequentava por diversos motivos, enfim... Estava arrumando isso. Não tinha mais porque's de não estar ali, de não curtir, de não se curtir. Por fim, chegará a sua vez, até chegar a porta, tinha esquecido o nervosismo que agora, voltara a acelerar seu coração que por sua vez, parecia comprimir seus pulmões e não deixar o ar entrar.

"Vamos menina"... disse a si mesma. "Até parece que não sabe lidar com uma situação dessa!" Se permitiu sorrir de leve e caminhou em direção ao balcão. Acenou ao garçom (já seu conhecido) e ele prontamente consentiu com a cabeça e sem que ela precisasse pedir, já veio até ela com seu pedido. (coca-cola e fritas, era sempre o mesmo) Quando seguia para seu cantinho favorito (a mesa próxima ao palco), notou que seu lugar já estava ocupado. Torceu o bico apertando os olhos mirados ao intruso que atrevidamente tomará seu lugar, mas antes que se direcionasse a mesa ao lado o viu acenar. Não pra ela, ou pra ela? Ficou parada de pé o encarando por alguns segundos e ao vê-lo se levantar e apontar para cadeira ao lado, sentiu um frio percorrer-lhe a espinha. (caralho... era ele) Agora a feição de desaprovação, passará instantaneamente para timidez, sentiu-se como um gato acuado num beco escuro por um cão. Ele por sua vez, sorrio ao apagar o cigarro e caminhou em sua direção sorrindo, calmo e tranquilamente. (talvez estivesse mais nervoso que ela, e provavelmente estava. Mas com certeza, disfarçou bem melhor que ela) Posso te ajudar? Perguntou ele, estendendo a mão para apanhar a bandeja. Ela não disse uma única palavra mas esticou os braços de vagar para não se permitir tremer, entregando-lhe a bandeja. Ele deu um passo para trás, pra que ela seguisse na sua frente, e enquanto caminhava para (sua) mesa dele mentalizava repetidamente... (controle, mantenha o controle).

Ele colocou o pedido dela no exato lugar em que estava sentado (o dela de fato), puxou a cadeira para que ela se sentasse e dando a volta na mesa, sentou-se do outro lado. Não levou mais de 10 segundos para que ele se sentasse a sua frente, mas o tempo daquele momento pareceu demorar uma década. Aquele sorriso, parecia tê-la hipnotizado. A maneira em que ele se movia, gesticulava, parecia querer aprisionar suas retinas. O perfume... Invadiu seus pulmões como uma bomba nuclear. Automaticamente, todos os seus sentidos foram postos em alerta. Ela não conseguia sequer falar... (coisa raríssima de acontecer, ainda mais com ela). Seus olhos pareciam um par de águas-vivas, seu nariz perfeitamente simétrico só perdia para os seus lábios. Cabelo castanho claro muito bem cortado, liso, despojado, mas a barba muito bem feita com um leve ar de por fazer, lhe dava um aspecto sério, maduro, centrado. Estava o encarando já alguns minutos, e só fez conta disso quando ele por sua vez, decidiu romper o silencio (entre eles).

Ele: - Você agora sabe quem sou, digo, como sou. (deu um leve sorriso) 
Sua amiga deve ter confirmado o que lhe disse não?
Ela: - Sim, ela confirmou sim...
Ele: - Sentei aqui, porque não queria que ficasse me procurando. 
E como todas às vezes em que à vi por aqui, estava nesta mesa, 
supus que seria seu lugar favorito (a encarou ao falar).
Ela: - Muito presunçoso de sua parte, achar que eu ficaria lhe procurando.  
(o tom que usou foi extremamente calculado, estava bastante nervosa e não queria transparecer)
Ele: (ele sorrio gostoso e largo) Talvez sim, mas se não estivesse curiosa em relação a mim, 
não teria vindo. Não hoje, certo?
Ela: (Agora quem sorriu gostoso foi ela) Certo! 
Fiquei mesmo curiosa, queria descobrir quem era 
o dono da voz misteriosa e o nome, se é que tem um, tem?
Ele: Tenho sim! Me chamo Henrique. 
(Ele estende a mão por cima da mesa, esperando então o cumprimento dela)
Ela: Prazer Henrique, me chamo Bell.

Depois de se apresentarem, ficaram horas conversando, dançaram algumas músicas juntos, voltaram a mesa, riram, trocaram informações. Ele relatará a ela o dia em que colocará os olhos nela pela primeira vez, e ela vagamente lembrou-se da cena. Ele quis saber o porque dela ter bebido tanto naquele dia, já que das outras vezes, não tomou nenhuma bebida alcoólica. Ela não queria falar naquele assunto, mas contou-lhe sem muitos detalhes o que havia acontecido naquele dia. Falaram sobre seus robes, sobre com que trabalhavam, o que gostavam de fazer nas horas vagas, enfim... Estavam se conhecendo, embora a sensação era de que já se conheciam a séculos. A noite estava chegando ao fim, ela precisava ir, mas toda vez que tentava se despedir, ele pedia para que ela ficasse mais um pouco, e com isso ela foi ficando, até que a manhã já parecia querer raiar do lado de fora. Já eram quase 5 AM, a casa já estava quase vazia, se não fosse por eles e os funcionários que limpavam toda a bagunça. Definitivamente era hora de ir. Para os dois...  Ele a levou até o carro, trocaram oficialmente seus números e marcaram de se encontrar outra vez. Se despediram com um beijo no rosto. E naquela manhã, ela chegou em casa e caiu na cama com um sorriso enorme no rosto. Como há muito não acontecia... Antes de ir se deitar, voltou a ouvir a mensagem, aquela voz de alguma maneira a fazia sentir-se diferente. E aquilo era bom. Jogou se na cama e as perguntas começaram a se misturarem diante de seus olhos, que se encontravam fechados, repassando cada instante que passou ao lado do misterioso Henri... Seria ele só mais um sapo disfarçado de príncipe encantado? Seria ele o Band-aid de seu coração tão surrado? Quem seria ele, além daqueles olhos que a encontraram num dia tão amargurado e o fizera desejá-la mesmo quando estava um trapo?Antes mesmo de concluir suas duvidas, adormeceu... E pela primeira vez em muito tempo, ao despertar, se pegou sorrindo.
Por. Bell.B


26 de setembro de 2013

Freedom

O tempo passou tão rápido que já haviam somado semanas, talvez um mês completo. Não tinha a certeza exata, até por que... Desde o último (des)encontro não fez mais, muita questão de contar. (embora tivesse certa obsessão por números, esse tipo de soma a deixava desconfortável). Decidiu por sua vez, fazer exatamente o que ele queria. (embora essa não fosse a sua vontade, mas dentro de tudo que estava acontecendo, foi o que fez). Não fez mais nada! Continuo seguindo sua vida sem pensar no futuro. Trabalhava, cuidava da casa, cumpria sua agenda, estava até saindo mais. Estava enfim, cumprindo à risca, a promessa que havia si feito. Não fazia mais planos, não ensaiava discursos, não chorava mais (não quando se tratava dele)... Desde que o porteiro entregou-lhe aquela chave, decretou definitivamente sua alforria. É claro que os primeiros dias foram estranhos, até porque, baseando-se na última carta que havia mandado a expectativa do retorno, não era nada parecida com a que se sucedeu. Porém, aprenderá que na vida, é preciso aceitar os fatos como são e não como gostaríamos que fosse.

Vez ou outra ia até a penteadeira e manuseava as últimas cartas (sem as ler), nas outras, sentava-se no sofá, encarando a sua própria face, que desta vez a encarava com um olhar de aprovação. Chegava a sorrir de si mesma como quem não acredita ter sido capaz de se refazer depois daquilo tudo. Estava orgulhosa de si mesma, estava satisfeita. Tinha até conseguido, tirar a foto dele de trás da dela, embora ficasse escondida a mantinha ali, porque era uma maneira de senti-lo presente. Mas quando ele mandou-lhe entregar a chave, entendeu que ele não só a estava deixando livre, como também, pedindo que ela o liberta-se. De alguma forma, mantê-lo preso atrás dela naquele porta-retratos, era como mantê-lo preso a ela. E tirá-lo de lá, foi à maneira que ela encontrou, de retribuir o favor. E com o decorrer dos dias, a certeza de que ambos estavam livres, era cada vez maior. Ela não tinha sequer noticias dele, do que fazia, de com quem saia de onde ia. E isso não a deixava mal, não a desanimava, não a feria mais como antes. Voltará a ler, na verdade, passou a devorar os livros outra vez. Antigamente, fazia isso pra se ocupar quando brigavam ou não estavam bem, pra se distrair da ideia de pensar e entre uma pausa e outra entre os capítulos, escrever, descrever, relatar tudo que sentia por ele. Agora não, conseguia focar sua leitura, naquilo que estava lendo, conseguia imaginar os personagens da história, sem se projetar ou projetá-lo neles. Retomar o controle da sua mente, sua atenção, seu poder de criar era algo que ela sequer poderia imaginar ter de volta. E as canções... Ahh quem seria ela, sem elas? Conseguia escutá-las agora, sem sentir doer o peito, sem apertar o coração, sem a fazê-la chorar. Muitas nem tinham sido trocadas entre eles, mas era engraçado como noutro tempo, tudo parecia ser tão dele(s), mesmo as músicas novas, pareciam narrar a história. Ora dele pra ela, ora dela pra ele, e agora... Agora elas tinham notas, harmonia, sentido. Agora ela conseguia sentir na essência da canção, a alma do compositor. Voltará a sentir inveja das “musas” que inspiram uma das suas maiores paixões. Hoje ela consegue escutar/cantar sozinha enquanto arruma a casa ou quando faz qualquer outra atividade, até as canções que eram deles ela consegue escuta/cantar sem chorar sem sentir doer, sem latejar. Ao contrario disto, ela até sorri. Agora ela consegue entender a letra, é como dizem por ai... “Quem esta de fora, consegue ver coisas, que quem de dentro, não enxerga.”

Ela também tem ido à praia, e não se senta mais de frente pro mar lamentando não estar com ele ou imaginando como seria como teria sido, não pensa mais nas promessas ou tratos feitos lá ou em qualquer outro lugar... Esses verbos, não a aprisionam mais. Agora ela senta-se na areia, mentalizando que o Sol se abra com força, para que ela possa mergulhar, para que ela possa lavar seu espírito e sair daquela imersão renovada. E quando vai para o sitio jugo “Lost”, não leva mais aqueles aparelhos (cel, not, tablet) que parecem monitorá-la, que a faziam se sentir aprisionada. Ela também não rabisca mais quando esta lá. Apenas sente o vento tocar seu rosto, escuta o barulho das folhas sacudindo nas árvores, e retruca com os pássaros que voam em bando... “Nós não temos asas, mas somos tão livres agora, quanto vocês!”. E quando se depara com o céu, esteja ele, rosa, azul, cinza, laranja... Não importa. Quando olha pra cima e vê aquelas bolas brancas enormes, disformes sorri. Sorri por lembrar das tantas vezes que elas protagonizaram sensações diversas, pelas tantas vezes que elas trabalharam, ligando as linhas tênues (in)diretas, por terem sido uma das maiores protagonistas entre eles. Sorri de leve, de lado, sem mágoas, sem rancores, sem dores, e ao final do (dia) encontro com aquele céu azul anil e aquelas nuvens enormes, agradece. Agrade por ter tido um dia, alguém que a fizesse notar beleza em tão pequeninas coisas. Agradece por ter tido alguém que a fizesse enfim compreender, que o amor não aprisiona. Não sufoca não cobra. Ela esta pronta, mas agora não tem tanta pressa, porque aprendeu com o tempo que antes de ser amada por alguém,é preciso se amar primeiro, e se amando de verdade, é que se é descoberta, pelo amor verdadeiro.
Por. Bell.B

5 de setembro de 2013

A Espera


Sem saber o que fazer, ou até mesmo o que pensar, resolveu ficar quieta e deixar o tempo passar. Se lembrou de todas as frases feitas sobre se quiser que algo mude, seja você a mudança e as deixou de lado. Só deixou que tudo seguisse um caminho sem ela se intrometer com os seus sentimentos. Ela queria uma mudança, mas não sabia por onde começar e nem aonde iria parar. Sentou num banco, olhou para o céu como numa prece e deixou com que o vento bagunçasse os seus cabelos. Um tempo de mente limpa e sem se preocupar com quem ou o quê o próximo vagão iria trazer. Chega um momento que não se consegue agir e a única alternativa que resta é esperar. Quem sabe em um desses trens da vida, um vagão trouxesse um pouco de paz. Mas enquanto ele não chega, se deu a chance de ter um tempinho só para ela. Apenas para ela. Sem precisar se preocupar com o que ciclano estava dizendo e o que fulano estava pensando. 
Resolveu esperar e de dedos cruzados torceu para que essas espera seja longa. Não queria motivos para se magoar ou se arrepender agora.
 Por. Mariana Leone

4 de setembro de 2013

Estopim




Ela se afogou com as palavras, que por não terem sido ditas, misturaram-se a saliva descendo garganta abaixo lhe causando extremo desconforto estomacal. Não estaria assim, com esse mal estar, se tivesse vomitado (na sua cara) cada palavra, não estaria sentindo queimar em sua traqueia as frases que teve de engolir e certamente a acidez em seu estômago, não estaria lhe causando tamanho desconforto mental. Nunca fora de levar desaforos pra casa, ou de se calar quando estava certa de ter razão. Nunca suportou a ideia de ser julgada, injustiçada ou colocada numa situação da qual não tinha o direito de defesa. Mas na altura do campeonato, estava cansada. Cansada demais pra provar estar certa. Estava cansada demais pra pedir que não mais viesse atrás dela ou que viesse atrás dela. Estava extremamente cansada, de ter que caminhar ao lado dele, fingindo não se importar com seu temperamento “quadripolar”, que hora a fazia sorrir com a mesma intensidade que a fazia chorar. Estava farta de ter que perdoar, quando o que mais queria, era não ter que se magoar por poucas bobagens ou por motivos sem sentido, que rompiam do nada no meio de uma conversa qualquer que se não fosse pela instabilidade “mental” dele, certamente terminaria num banco de praça, sorvete e sorrisos. Há dias, talvez meses, vinha protelando, adiando, evitando falar sobre separações ou términos, fosse qual fosse o grau da relação. Mas definitivamente, o ultimo encontro fora à gota d’água.  Em outras palavras... O Estopim! Rompeu-se então o tratado, o pacto, a aliança, que fez consigo. Decidiu de uma vez por todas, parar de fingir que o mundo a sua volta era perfeito e de agir como se tudo que ele fazia/fez/falou não a destruísse por dentro. E mesmo não tendo uma conversa direta, resolveu deixar claro que mesmo ela não tendo dito, ela sente. E só não ligou, não escreveu, não procurou antes, porque precisava de tempo para digerir aquele mal entendido. Esta situação nunca lhe passará pela cabeça, não foi o que imaginou lá no passado pra hoje. Não foi o que pediu no menu de entrada quando te conheceu... (Isso esta acabando com ela) Então dá teu jeito e limpa o que quase escapa da boca dela com o guardanapo. Se entope de alguma bebida ou d’alguma desculpa pra não deixar sair da sua de novo. E quando for agir movido a impulsos descontrolados provenientes da sua noite mal dormida ou de um bate boca com qualquer um que não ela, conte até 10, conte até 20, mas não á magoe mais. Coloque-se na posição que ela se encontra agora e talvez consiga mastigar suas farpas, sentindo-as se misturar a saliva antes de descerem suavemente cortando sua garganta. De um tempo de você, afaste-se das pessoas, respire ares novos, reinvente-se, e quem sabe assim você descubra que talvez seja isso que vem causando tamanho mal a ela, e talvez por isso ela esteja morrendo internamente pela sua falta de desconfiança dos sinais dela. Da falta de percepção milimétrica de quem confessa com as olheiras que tem chorado, de quem repuxa os lábios num sorriso mecânico como quem diz que é fachada, mas você não acha que é. Talvez agora você esteja dando de ombros, como quem esta pouco se lixando pro estado fisico ou mental dela, mas meu caro amigo... Mesmo assim eu vou te falar sobre ela, sobre como ela esta.

Ela vai bem, obrigada, mas não vai coisíssima nenhuma. Ela fica e vai ficando chateada, magoada, doída por dentro, ainda que você a chame de doida pelos surtos psicóticos do nada, que nunca são por nada. Só é do nada pra você. Pra ela a coisa tem história, registro e motivos suficientes pra dar voz ao silêncio. Mas ela não fala. Ela decidiu não falar. Ela não grita e não olha mais nos seus olhos pra segurar o forte desejo de despejo esganiçado que arranha as cordas e arranha o peito e arranha esse amor bonito que vocês poderiam ter tido se em outrora você não à tivesse deixado no meio do caminho. Um amor que vive num futuro mais que perfeito, que nunca vem ou tem sentindo. Mas que judia dela com a sua ausência prazerosamente presente que desdenha dela porque não sabe o que de fato acontece com seus sentimentos. Você não sabe e ela não mais diz. Acorde, sacuda a poeira, penteie o cabelo. Escolha qualquer roupa e apanhe uma fruta da fruteira. Tome coragem, não desista, ou desista! Esta será a ultima vez que saberás sobre as coisas que ela escreve sobre você num velho diário/agenda/papel-de-pão onde faz de conta que as coisas acontecem e lá ela diz, te diz, me diz, grita e não se esganiça berrando que... Tão evidente que nem precisaria rabiscar indireta ou diretamente. Ela esta perdendo as forças e talvez não consiga mais desejar boa noite repetidas vezes a você sem letra ou melodia do Skank cantando em neon que a sorte te sorri e você não sorri de volta e vê que ela te vê. Ela ira desaparecer como um nevoeiro e eu aposto, aposto contigo hoje ou amanhã, aposto que um dia ela ainda decreta a própria alforria e põe a boca no trombone/alto/falante/teu-ouvido e cochicha baixinho todas as coisas que ela não disse e que você nunca quis ver. Ou talvez ela se cale pra sempre e cultive o silêncio. Firme, forte e piedosamente bela num suplício sentimental que ecoa pelo restaurante, pelos jantares que tem com você, pelo mesmo pedido de sempre no cardápio em que nunca intervém na sua escolha. E convenha ao silêncio calmo e educadamente bonito como convém à etiqueta (motivada por tudo o que tinha a dizer e não lhe disse).
Por. Bell.B