25 de abril de 2012

Player


Sintoniza uma estação qualquer, se atira na cama. Apanha o livro no criado mudo ao lado da cama e fixa os olhos nas ultimas linhas afim de recordar o capitulo anterior. (Sorri) Relê mais uma vez a linha que já havia lido, (desvia o olhar) retoma as linhas, fecha o livro. (Suspira) Coloca o livro de lado, liga o rádio, leva os braços cruzados pra trás da cabeça amparando a nuca, direciona o olhar pro teto.  (Contorna delicadamente os lábios com a língua)

Fecha os olhos, abre, pensa. Nem sequer escuta o que toca ao fundo. Sorri pro nada, do nada, por pensar em tudo. (Inspira) Sente apertar o peito, encolhe-se abraçando o travesseiro. Aperta, aperta-o com força e sente algo por sua face escorrendo. (Lá está ela chorando novamente) Olha o relógio, escuta com atenção momentânea o áudio ao fundo, reconhece a música... (Apavora-se)


... Apanha o livro, senta-se na cama, tenta limpar a memória. Conduz o olhar a leitura, respira e diz a si mesma: "- Controle-se!" Arremessa o livro contra parede, taca longe (o relógio) aquele que aparentemente lhe controla. Desliga aquele (som) que teima em tirar a sua concentração com antigas memórias. Anda pela sala, senta, levanta, deita-se. Abre a janela, deixa o vento invadir sua face, seu quarto, toda a casa. (Se deita) Vira de lado, e como num passe de mágicas, o vê sorrir... Ela se estica, alcança o "player" solta a canção e sem mais evitar... lhe sorri de volta.
Por. Bell.B

20 de abril de 2012

Não Dormia



Eu já não dormia, agora nem cochilo mais. 
Os sonhos fazem morada na ponta da língua, somando as sensações de uma vida que não tenho mais. E eu na gula de saber, as saboreio como se fosse um prato do qual, eu não mais, terei posto a mesa. Por um momento, por um desejo, pela ultima vez... Saboreio.

Sinto uma vontade imensa de ficar, de permanecer, estabelecer minha vinda, formar as minhas bases fixas aonde escolhi com você viver e assim deixar de lado as faltas, as magoas e esquecer das tantas vezes, em que se deu o fim. Mas como posso... se você não está mais aqui?!

Mesmo não dormindo, ontem sonhei com uma história passada há tanto tempo atrás, em uma dessas noites que partilhamos de sorrisos e lágrimas e que travávamos discussões e acabávamos por entender os dois, que brigar não valia de nada. Mas eu quis voltar ao sonho, reviver o mesmo enredo, repetir as mesmas cenas, porque por um momento, dentro desse tempo que não venho te tendo, eu estava lá com você. 

Andei refazendo alguns caminhos, achei pegadas... Segui com os pés em cima de cada marca, e indo, voltei. Encontrei as mesmas passagens, chorei pelas mesmas dores, lamentei os mesmos erros, sorri com teu sorriso a me ver apavorada. Você sempre mantendo a calma, eu sempre descontrolada, perdi o equilíbrio quando percebi que eram só águas passadas.

Já não dormia, agora nem cochilo mais.
O coração aquece, o fôlego falta, o prazer falece, as alegrias perdem a graça. Não cochilo mais...
... Não, não durmo mais! Eu espero os sonhos entrarem pela minha janela, esta que também não fecho mais. Vou a todo o momento me olhar no espelho, pra sentir que seus olhos estão ali, me vendo. Porque por mais que eu me olhe, sem você... Eu não me enxergo mais. Respiro por que sou obrigada, levanto-me porque a vida não para e me odeio a cada momento, por escolher, por fazer, por manter sempre a maldita norma de ser tudo “do meu jeito” e se fosse de outro modo, “talvez” hoje eu tivesse dormido, talvez hoje eu teria acordado e o sonho (contigo) teria durado mais.

Eu já não dormia... Agora sem você, eu nem cochilo mais.
Por. Bell.B

Outra Vez






Eu não sei de onde vem, mas toma-me a pulso, fazendo-me entender o que não consigo sequer explicar. Me faz ser cruelmente egoísta á ponto de eu só querer ver e sentir, a minha própria dor. Está, que ainda que brote de tua falta, faz-me cada vez menor dentro do enorme desespero que me toma.
E é assim, tão simples e complexo o que sinto, que me vejo preenchendo vazios com falhas e falhas e soterrando-me em erros desmedidos e descontrolados, por só e simplesmente querer... acertar. 
Nas minhas buscas inconstantes e sedentas, acerto-te, e ao quebrar as muralhas que me impendem... É em ti que as pedras desabam. Te acerto sem querer, sem propósitos, sem malicias. Apenas vou buscando maneiras de trazer-te pra perto, sem perceber, que de certa forma, te afasto.


A culpa é minha? Foi tua? Não sei mais ao certo, o qual verdadeiro significado da palavra "culpa". São meus atos insanos e impensados que fazem-te refletir e pensar nos próximos, “teus atos”.
Ahhh se eu pudesse mudar o passado. Seria eu... mais uma vez, um ser falho?
Ei de mudar os meus planos, reescrever mais uma vez os meus passos, editar como se isso, fosse mesmo possível, as minhas ações e no fim... estaria eu aqui, mais uma vez, repetindo os mesmos erros, dizendo as mesmas frases de efeito, e por mais uma vez pensando... Será que tudo que fiz, foi errado?


E me verias amanhã, depois de ter mudado tudo, como AGORA... ajoelhada, em prece, pedindo a Ele que me guie, que não permitas que minha vaidade (outra vez) CEGUE.
Por. Bell.B

18 de abril de 2012

Asas





Eu nunca soube ao certo o porque das asas, as tinha, mas não as reconhecia. Dado certo momento, acreditei que eram pra encantar, enobrecer, me prevalecer, e elas me serviram pra muitos momentos assim... Embora eu continuasse a acreditar nisso, alguém me fez deixar de crer e passar a entender o "porque" que elas existiam. Ele estava ali, cabisbaixo, meio pensativo, contornou com as pontinhas dos dedos a silhueta alada que eu carregava, e desse dia em diante descobri a magnitude de ter asas. Eu então passei a revoá-lo, observar do alto o que só com os pés no chão eu poderia alcançar. Entendi que quando se aprende a voar, o céu não é o limite, mas se você tem com quem caminhar, ter asas passa a ser apenas uma forma de escapar do que não se pode resolver... Eu fecho as minhas asas em você. Não importa o que temos que enfrentar, EU NÃO VOU VOAR.
Por. Bell.B

14 de abril de 2012

A Dança




Leu, releu, remoeu as palavras. Não conseguia digerir uma unica linha. E tentou... mas desta vez, não foi capaz. Evitou o computador. Não queria sentar ali. Não queria voltar a "tentar" entender o que não era capaz de aceitar. Saiu, andou aleatoriamente, acabou parando no shopping. Se perguntou o que fazia ali. (Não queria estar ali). Algumas horas na rua, mas a mente continuava em casa. Lendo, relendo, remoendo as palavras. Sacudiu a cabeça várias vezes, afim de desaparecer com aquelas linhas de sua mente. (Bobagem... outra vez não foi capaz) Voltou pra casa, sentia-se pesada. De fato estava. Carregava tanta coisa na cabeça, que seu coração parecia pesar TONELADAS. Entrou, atirou a bolsa no sofá, e foi até a cozinha. Abriu a porta da geladeira e apanhou a jarra. Serviu-se mas enquanto bebia, parecia estar engolindo não o suco, mas os limões inteiros. Deixou o copo na beira da pia e seguiu pro quarto. Se jogou na cama, a tela totalmente NEGRA. Puxou o ar o mais fundo que pode, esticou o braço para alcançar o travesseiro. (Jogou-o na cara) Ficou por menos de 4 segundos, mas pareceu-lhe horas soterrada. Sentou-se, pensou em ligar o PC. Desistiu. Sabia que se fizesse isso, passaria mais um dia lendo, relendo, remoendo aquelas malditas palavras. Elas ecoavam em sua mente como se fossem fantasmas. Decidiu então ligar o som. Antes mesmo de ver o que estava no aparelho, aumentou o volume e sem pensar clicou. "PLAYER". Quase se arrependeu. "QUASE". A introdução começou, o nó na garganta aumentou, fechou os olhos...

... A pontinha de seu dedão do pé foi quem deu o primeiro passo. Em seguida, içou um braço pra frente o outro pro lado. Um, dois rodopios no centro do tapete do quarto. O som estava muito alto, não detectou o barulho da chave. A janela aberta permitia que o vento entrasse libertino e atiçasse seus cabelos. Ora e outra, levava a ponta do indicador, para tirar os fios que invadiam sua boca enquanto cantava e sorria "... só sei dançar com você ...♪". Ele de pé, com o ombro encostado no batente da porta e com um sorriso quase doce a observava. Ela parecia flutuar, usava cada centímetro do quarto, até que sentiu uma mão amparar sua cintura, a outra a puxou pra perto de algo que lhe era familiar. Quase abriu os olhos. Mas ficou com medo de acordar. Puxou o ar bem de vagar, ajeitou-se entre aquele calor acolhedor e se permitiu conduzir. Embora o som estivesse alto, foi capaz de ouvi-lo cantar "...  isso é o que o amor faz ...♪ ". Por mais que quisesse não era capaz de impedir que as lágrimas rolassem. Queria ser capaz, queria poder fingir que tanto faz. Ela não podia. Não diante dele. Não com ele. Perto dele, por mais que tentasse não ser ela. A única coisa que ela sabia ser, era só quem era. O abraçou apertado, tão apertado que se o vissem ali dançando, poderiam jurar que não eram um par. Eram tão parecidos, eram tão um do outro, eram tão singular que nem mesmo quando diziam não ser, conseguiam ser só. Enquanto as lágrimas dela escorriam, ele a conduzia pelo cômodo, não ergueu o rosto dela, mas sabia que ela estava chorando. Ele não chorou, não por aquele momento. Havia chorado antes, por muitos outros motivos. Em reposta as lágrimas que rompiam nos olhos apertados dela, batia o coração dele, completamente descompassado. Parecia querer pular de seu peito. E ela sabia que ele não queria sair do peito dele por ela, mas pra longe dela. Quase olhou pra ele, mas ainda não. Não podia acordar, não ainda. Dançaram por horas a mesma canção. (Não foi por horas, mas a sensação era de que tinha sido...)

(Ela tinha mania de deixar no "repeats" as canções preferidas) entre uma nota e outra, o romper da emoção. Quatro anos passaram em sua mente por 24 minutos. Tempo de tocar 4 vezes a mesma faixa. Sem querer, enquanto rodopiava, bateu com a mão no aparelho e assim que a música parou, seus olhos se abriram. A cortina ainda balançava, o computador ainda estava desligado, já não era mais dia, e as luzes das janelas vizinhas estavam desfocadas (talvez pelo tempo que ficou de olhos fechados). Silêncio. Ninguém havia aberto a porta. Sentou-se na cama, e sem mais tentar controlar, permitiu que o nó descesse pela sua garganta. Chorou o que nunca pensou chorar. Sentiu o peito apertar, a cabeça doer, o coração latejar. Poderiam jurar que aquele choro era de quem acabará de perder um parente. Não era, não o choro dela. Aquele era um choro sentindo, pra muitos sem o menor sentido. Era o choro de quem perde algo que um dia, achou ter tido (Será que teve? Será que perdeu? Será que um dia encontrará?). Era um choro doido, ferido. Calado! Um choro cheio de perguntas, baseado em respostas das quais Ela nunca saberá ou entenderá. Talvez se ela tivesse respondido, talvez se tivesse explicado, talvez se tivesse dito algo... talvez se Ele soubesse o quão difícil era também pra ela, ele à tivesse perdoado.
Por. Bell.B

13 de abril de 2012

Visão do Paraíso


Hoje teria sido um dia ruim (quase a semana toda foi assim), mas por algum (esse) motivo... não foi.

  
  ♖ ▪     diz (15:57):
*Não perdi a coroa?

                diz (15:58):
*Reis podem perder o trono mas não a majestade.
*Ao que diz respeito a mim? Pergunta idiota... af ¬¬

         ♖ ▪       diz (15:58):
*Coroa eu tenho, tu está ficando velhinha CB.

                      diz (15:58):
*Talvez. Os números acabam somando a todo fim de ano. Mas acredite ou não, ainda beijo sapo esperando que ele se transforme no príncipe que é e sempre será pra mim (VC). Certas coisas não mudam... Nunca.

            diz (15:59):
*Você sempre com respostas ali na lata.

                    diz (16:00):
*Ainda pego minha tiara de pedrinhas brilhantes e de frente ao espelho chamo por vc. My King. Ainda entro no quarto pisando em pontas de pé, deito-me em silencio e vejo a marca do peso do seu corpo no colchão. Não ligo pro que pensam ou acham ou querem que eu faça, entenda ou aprenda. Adoro ter na cabeceira o livro do pequeno príncipe, amo ver duas vezes seguidas Peter Pan. Ainda escuto as mesmas velhas músicas repetidamente como se as tivesse ouvido pela primeira vez ao primeiro clicar no player. É meu menino. Aparentemente eu posso ter mudado e posso matar mesmo um leão por dia. Mas todas as noites ele entra sem fazer barulho na porta, se ajeita no batente e sem trono ou coroa, reina como se nunca em tempo algum, fosse capaz de existir quem o faça perder a glória.

             diz (16:04):
*Aquela "pausa" necessária.

                    diz (16:05):
*Te amo também, rs

             diz (16:06):
*Não ri não que é muito sério. rs Ouviu meu "te amo" assim tão prontamente? O meu silêncio é fofoqueiro demais.

      ♕             diz (16:08):
*Eu sorrio sim. Mas não de você, por você! Entende a diferença? Eu ouço sempre, às vezes penso que só ouço porque preciso. Mas ainda assim, isso não me tira dos lábios o brilho. Até quando finjo que te tenho, quando te usurpo sem licença, é como se fosse exatamente como sempre foi. Tudo muito e só meu.

     
              diz (16:12):
*Teu trono é meu colo, e tu faz questão de sentar de frente, só pra me olhar nos olhos. Você realmente atiça o leão, mas quando me olha nos olhos as palavras muitas vezes se calam.

                      diz (16:13):
*Tem visão mais perfeita do paraíso do que as janelas de tua retina? Nem sempre são preciso palavras pra expressar o que sentimos meu menino. Mas eu sei que sabe disso.

            diz (16:14):
*Tem, as janelas da tua.

                     diz (16:14):
*...

             diz (16:16):
*Estou aqui olhando pra tela, com a mão no queixo. 
Depois lógico de coçar a nuca. (isso é sério). Amo Você
Por. Bell.B