6 de novembro de 2016

Ela (Resposta Part II) VIII

Sei que demorei um pouco pra escrever essa segunda parte, mas não o fiz antes por N razões, depois dos últimos acontecimentos e "fatores" acredito que esteja pronta e essa seja a melhor forma de (me) fazer entender. Vocês leram aqui, relatos e verão muitas semelhanças no "hoje" com muitas coisas que há muito, já são "passado". O que é perfeitamente normal quando falamos sobre sentimentos, quando relatamos emoções, quando expressamos as avalanches e catástrofes que são os relacionamentos amorosos. Afinal, não são meras coincidências ou repetições, amor é amor e sempre que uma pessoa esta enfeitiçada, tomada, possuída por essa sensação, a história se repete. Umas permanecem, outras terminam, outras são interrompidas pelo destino, outras acabam terminando antes mesmo de começar. E a única certeza que se tem, é de que até que aconteça de novo, aquele amor será único.

A questão é “se é amor, como pode acabar?”... Dizem que quando é amor é pra sempre, que quando é amor é diferente, que só se ama uma vez. E daí vão nascendo inúmeras metáforas e parábolas e contos e histórias e infinitas descrições de que a porra do amor é um sentimento que nunca será substituído, de que nunca será uma sensação que se repetira, de que quando acontecer você imediatamente saberá que é o tal “grande amor da sua vida”. E ai... Surgem na contrapartida, os pessimistas, os amargurados, os infelizes, os invejosos, os mal amados. Aqueles que aparecem sempre com um “coringa” de outro naipe pra foder com a sua “canastra” limpinha.  “Amor não existe. É só sexo! Dá pra amar uma pessoa e só querer trepar com outra. Pra que se prender? Ele(a) não te ama. Quem vai contar? Abre os olhos.” Pois é... Eu bem sei como é isso. E pra variar, vou à contra mão de tudo que dizem e afirmo que o amor tem mais formas do que a quantidade de vezes que podemos ver desenhos nas nuvens. Que o amor pode acontecer na vida de uma única pessoa mais vezes do que ela é capaz de contar os pingos de chuva. E que não importa o que dizem o que pesquisem o que escrevam, eu vou sempre acreditar no que eu estou sentindo.

Ele entrou na minha vida de uma forma muito peculiar. Acredito que inicialmente não havia um plano B. E que esbarrar em mim foi de duas uma “ou obra do destino ou mero acaso”. Essa é uma questão que talvez nem que queiramos, iremos descobrir. Mas isso não importa o que realmente vale enfatizar (ao menos pra mim) é que ninguém fica sem querer ficar ou parte sem querer partir. Então ficamos, ficamos próximos, viramos amigos, e a intimidade foi nos dando espaço. Fomos nos espalhando um na vida do outro, juntando os planos e logo, estávamos consolidados as juras e promessas que acabam se profetizando em meio a conversas bobas, em intervalos de filmes onde aquela cena fictícia nos convence de que fora da tela também é possível, ou através das dezenas de músicas enviadas que cantaram o que sentíamos como se fossem a nova forma de enviar cartas.

Eu levei um tempo pra me permitir, pra abrir mão dos meus medos, demorei pra acreditar que porra... “desta vez era amor”. Eu já havia passado perto desse tal de amor algumas vezes, tudo em mim sempre foi tão intenso, tão latente, que sinceramente, não acreditava que eu poderia sentir algo “muito diferente” do que já havia sentindo das outras vezes. Na verdade o meu temor era deixar que esse “tal amor” entrasse e me machucasse novamente. Mas ele foi astuto, jeitoso e muito convincente, e com isso, lá estava eu, acreditando mais uma vez nas histórias que batia no peito pra dizer que só aconteciam no cinema ou nos meus livros preferidos de cabeceira (é eu ainda sou dessas que empilha livros já lidos, no criado mudo). Lá estava eu, dando brechas, abrindo as janelas e tirando o pó das prateleiras do meu coração. E quando ele se mudou definitivamente pra dentro do meu peito, todo aquele peso que eu carregava foi desaparecendo.

Com ele, o amor parecia leve. As manhãs não eram mais pesarosas, minhas tardes já não passavam mais arrastadas, e a noite, minha parte favorita, era a que eu queria que passasse mais apressada, comecei a sentir uma necessitada absurda de ser acordada por ele "me sentia meio Bela Adormecida". Tudo virou do avesso, mudou de ritmo, me perdi nas datas agendadas a marca texto e discutia constantemente com o tempo. Todas as minhas prioridades deixaram de ser importantes. E fiz com que minha rotina se encaixasse na dele. Era tudo tão perfeitamente desorganizado que todo nosso roteiro errado, dava muito certo. Comecei a deixar os fantasmas de lado, passei a sorrir para o sol (o que é coisa muito rara) e dei inicio aos novos projetos. E mesmo sabendo que o terreno era arenoso, estávamos alicerçando nosso castelo. Piamente acreditei que nada, nada poderia ruir meu lar. Afinal, era nos braços dele que eu me sentia em casa. Fosse onde fosse, estivéssemos onde estivéssemos nada mais poderia me assustar, com ele eu não tinha mais medo de nada. Éramos nós contra todos. E assim foi por muito tempo, tempo o suficiente pra eu entender que o amor não exige modificações, que amor não pode ser construído em cima de promessas, que quando é amor, ele simplesmente é.

O amor não requer abdicações.
O amor não enjoa.
 O amor não muda as pessoas.
O amor não é opcional.
O amor lhe faz agir no impulso.
O amor te arranca do chão. 
O amor não se esconde.
O amor não machuca.

E foi então que me dei conta de que entre as oito principais regras eu estava violando a mais importante e não mencionada. Não há regras no amor. Então percebi que eu estava agarrada as promessas, as juras, os sonhos, aos clichês e metáforas. Criando sozinha, bases nas minhas próprias convicções e perspectivas. A minha cede de cura, o meu desespero pelo estancar das chagas passadas, o meu medo assustador de sentir meu coração outra vez ser partido, fez com que eu me apegasse a cada promessa de “felizes para sempre” como quem descobre a cura do câncer. Sem me dar conta de que assim como nos contos de fada, tudo que havia sido dito, prometido, jurado, vinha sendo decretado somente pela minha necessidade de acreditar. E de repente me vi vivendo num livro. E eu estava chegando ao capitulo final onde surpreendentemente a historia da uma puta reviravolta inesperada. O herói assassina o amante da esposa, a mocinha abandona o coral e o bom moço prometido e monta na harley de um desajustado sumindo na estrada. A carola é pega trepando com o encanador, e o velho da casa assombrada no final da rua aparece casado com uma garota que jurariam ser a bisneta dele. Todos esses pontos abririam “dezenas de pontos de vista”, dariam margens a centenas de especulações. Eu, ele, o ex herói, a nova ovelha negra, a recém vadia, o velho babaca... Quem pode apontar rotular, acusar? Quem pode, além de cada um de nós, saber como chegamos até cada ponto de nossas vidas? Quem, senão aquele que passou, sentiu e viveu, pode avalia e nomear com propriedade se tudo foi ou não motivado por amor? Somente nós, os protagonistas de nossas vidas, os roteiristas de nossas histórias, os donos de nossas emoções, poderemos classificar, julgar e decidir com propriedade o que é amor.

E o que posso afirmar com certeza é de que foi amor. Foi amor no primeiro roçar de lábios. Foi amor na primeira manhã mal humorada, foi amor na primeira explosão de fúria. Foi amor quando cortei a conversa e cantei do outro lado da linha. Foi amor na primeira dor de despedida ainda que a volta fosse breve, foi amor no permanecer em silencio enquanto a raiva emudecia a fala. Foi amor no romper em soluços com a dor da verdade, foi amor na rouquidão da garganta depois dos berros enfurecidos de ciúmes. Foi amor ao atirar os copos e cobrir o assoalho de cacos. Foi amor enquanto eu jogava suas roupas lá de cima, no capo do carro. Foi amor quando me deitei sozinha, vestindo sua camisa e assim tentando te sentir mais perto. Foi amor com juras rompidas, promessas quebradas... Será amor, quando esta dor passar, e a ferida fechar e eu sorrir de leve ao olhar a cicatriz deixada. Pra sempre será amor, ainda que eu leve uma vida, colando os pedaços do meu coração que se estraçalharam no chão do quarto mais uma vez, quando atirei contra a parede, seu porta retrato. Porque quando é amor é, e mesmo que termine. Nem com os erros cometidos, nem com os pecados apontados, nem com os corações partidos, se finda.
Por. Bell.B