29 de julho de 2014

Velho (Des)conhecido


A manhã estava fria, pelo "termômetro pessoal dela” lá fora provavelmente estaria fazendo dois graus... (Deus, como odiava o inverno, talvez mais que bife de fígado). Acordou antes do cel despertar. No visor acusavam 7 mensagens, virou o visor pra baixo, e curiosamente não praguejou. Pois é... Normalmente números assim a incomodariam, mas estava tão submersa, tão dispersa das coisas que costumava acreditar, zelar, que desta vez, ignorou. Estava indisposta, com dores por todo o corpo, uma gripe fdp havia a apanhado o que agravava ainda mais seu estado. (Estava terrivelmente depressiva, a cada repousar de olhos ao anoitecer, a sensação que tinha, era de ter matado não um leão, mais um Dragão durante o dia, há alguns meses estava assim, a mudança cooperou para o agravamento do seu estado transtornado, tanto físico quanto mental, eram tantos problemas, tantas alterações, que se parasse para pensar, não conseguia encontrar o foco exato daquela escuridão toda.)  Então nos últimos dias resolveu não voltar mais à fita, não estudar os passos que deu errado, ou as escolhas que a fizeram chegar até ali. Era uma situação na qual não tinha como mudar, contudo... Mantinha-se focada a Fé. Esta definitivamente não saia dela por nada, acontecesse o que acontecesse, era esta força que a mantinha ali, ainda de pé e conseguindo burlar as especulações de que pudesse estar infeliz ou não estar bem. (Ah... isso ela conseguia despistar como ninguém. Poucos eram capazes de atravessar a muralha rochosa que protegia seus sentimentos, seus pensamentos, seu coração. E assim os dias iam passando por ela, ela se arrastando por eles, e todos passavam por ela sem saberem a dor que aqueles sorrisos soltos escondiam.)

Precisava se levantar a louça na pia, a casa por aspirar as contas a serem pagas não podia esperar seu estado Down passar. Espreguiçou-se na cama, passou as mãos sobre o rosto e seguiu para o banheiro. Tomou banho, escovou os dentes, desceu pra fazer o café a fim de enfim, despertar (abençoada poção magica). Já era quase meio dia, deu conta dos afazeres intermináveis de casa e seguiu em direção ao banco. (Desgraça que são os bancos, sempre lotados, o atendimento Personnalité é uma merda e por alguma razão que nem Freud explica, dentro do caralho do banco, as horas parecem passar em doses homeopáticas.) Enfim, depois de quase 2 hrs dentro daquela droga de agencia, conseguiu concluir a agenda do dia. Mas ainda faltavam horas até que pudesse se atirar na cama e digladiar-se com seus Demônios noturnos. Mais uma vez passaria o resto do dia arrastando suas correntes. (E teria sido mesmo assim se o seu cel não tivesse soado o bip das mensagens não lidas).

Ainda estava dentro do estacionamento do banco quando apanhou o cel no fundo da bolsa. Passou os olhos correndo pelos “corpos das mensagens” e uma delas a fez arregalar os olhos. Apertou os olhos com força e voltou a olhar o visor. “Ual!... (Foi à única palavra que consegui falar naquela hora) Subitamente foi tragada pelas lembranças de momentos como aquele. Exatamente como aquele, quando tudo parecia estar em ruinas, quando tudo parecia não ter mais saída, quando os únicos tons que via ao abrir seus olhos eram cinzas e assim do nada, como quem só e simplesmente adivinha, ele aparecia. E mudava, e consertava e coloria tudo. E lendo aquela mensagem, sem nada demais ou além do que entre eles poderia aquela altura do campeonato ser dito, sorrio. E não foi um sorriso como os que vinham se forçando a dar, não! Era aquele que só ele, era capaz de fazê-la esboçar. Muito havia se passado, ocorrido, mudado. Mas naquela hora não pensou, não fez questão de calcular. Jogou o cel no banco do lado e a primeira parada foi no posto, mandou encher o tanque, comprou algumas guloseimas e partiu. Partiu rumo ao velho (des)conhecido... A viagem seria longa, não sabia exatamente o que iria encontrar lá, mas de uma coisa tinha certeza, desta vez não iria hesitar.
Por. Bell.B