29 de novembro de 2013

Fundo


Escuta, de uma vez, eu poderia dizer que voltamos à estaca zero, mas esta foi cravada no dia que a gente se encontrou. Depois de tirar um pouco os pés do chão, caímos juntos e abraçados num poço escuro e vazio e sem fim. Agora estamos no negativo, a gente simplesmente deve algo um pro outro. E nem vem, não adianta, quem ama o difícil, muito fácil lhe parece. Sei da sua indolência, mas quero tentar mesmo assim, porque já não dá mais pra passar um dia sem que minha história conte um pouco da sua. Cada vez que eu for até sua boca, é um degrau de subida, a gente já foi fundo, fundo demais, não há mais como cair. De agora em diante, o maior risco que a gente corre é ser feliz...
Por. Gabito Nunes

21 de novembro de 2013

Intoxicated


Assim como suas vistas, as letras estavam completamente borradas. Tirando as inúmeras partículas de água que gotejavam de seus olhos sobre o papel enquanto escrevia, havia rasuras por todos os lados. Não havia uma linha sequer que não tivesse uma palavra rabiscada. Ora a palavra "amor" era substituída pela palavra "ódio", ora atropelava a frase toda com a ponta da caneta com tanta força que entre uma linha e outra era possível se ver o fundo da mesa. Estava transtornada, possuída, num estagio de cólera talvez... Talvez não. Era certeza! Todas as suas emoções se encontravam num caos completo. Ao que tentava reordenar os pensamentos e se recompor, mais uma folha era arrancada do caderno e amassada, sendo atirada ao longe, batendo contra as demais formando uma montanha no canto da parede.

Aquele acumulo de sentimentos era-lhe muito familiar. Parecia estar projetando suas emoções de dentro pra fora (e era o que aquela pilha enorme de papeis representava). Era absurdo como depois de tanto tempo, sozinha, ainda continuava sentindo "tanto" por ele. E sinceramente, ele não merecia. Ele não merece nada que dirá tanto amor, tanto ódio, tanto... Eram tantas as emoções, as sensações, os sentimentos, que seu coração não parecia compatível com seu peito. Cada lembrança acelerava seus batimentos cardíacos como uma arritmia. Cada foto, cada frase, cada momento lhe causa tamanho desconforto, que por mais que tentasse respirar, o ar parecia não entrar. Suas vias, todas... Pareciam congestionadas. As vistas se turvavam, o estômago revirava, as mãos tremiam (e provavelmente a essa hora, enquanto ela se encontrava nessa demolição mental/sentimental, o filho da puta provavelmente dormia, ou aproveitava seu tempo por ai, sem sequer saber ou fazer ideia do quanto sua ausência a devastava, o quanto esse afastamento brutal sem justificativas violentava sua alma). Alguma coisa estava parada no meio da sua garganta parecendo querer sufocá-la. Rapidamente vasculhou a memória tentando se lembrar do que almoçará. Teria sido envenenada? Foi quando se lembrou, há dias não comia nada. Mantinha-se num jejum rigoroso (café e cigarro). Não fora envenenada porra nenhuma. Não por algo rapidamente letal ou alguém, alias, estava sim envenenada. (Há muito dizem, dizem não! Está provado que aquela “porcariazinha” à qual ela recorria descontroladamente quando não conseguia resolver, solucionar ou entender algo em sua vida, que aparentemente parece inofensiva, contem nada mais nada menos que gases tóxicos, amônia, cianeto, ácido levulínico, acetato de chumbo, e vários outros componentes altamente letais). Mas o veneno que a intoxicava/intoxica, que lhe percorria/percorre as veias fazendo-a em alguns momentos perder a razão, os sentidos, era outro. E talvez tão fatal quanto esta soma química bombástica que logo mais (talvez) certamente será dada como a maior culpada pela sua ausência, (apagando todo e qualquer vestígio de uma vida doente e apaixonada, platônica e não correspondida) entre seus entes queridos.

Mas não hoje, hoje não. Ela ainda não está pronta e talvez jamais esteja. Além domais, não poderia partir, não assim, sem dar seu ultimo Adeus, sem saber dos "porquês" dele, sem saber dele. Se fosse desta forma, certamente não seria de fato o fim, pois continuaria noutra vida, como permanece nesta aqui... Vagando, penando, precisando de um grande motivo para enfim... Partir!
Bell.B

13 de novembro de 2013

Dentro de Mim

Eu juro que tentei... Eu tentei esquecer, deixar passar, abstrair! Eu segui rumo ao oposto dos teus passos. Me permiti conhecer e me envolver com outras pessoas e sempre que eu estava prestes a conseguir, algo aqui dentro me fazia desistir. Muitas noites vaguei por ai em busca de respostas (porque sumirá assim?), a procura de fuga (saia de dentro de mim!), atrás de uma escapatória que me impedisse de voltar (a pensar em você, mais do que você pensa em mim, se é que pensa mim). E ao final da noite, perdida e novamente sozinha, amanhecia o dia, e o meu primeiro pensamento era/é você. Definitivamente não sei mais o que fazer, não sei para onde correr, pois todos os caminhos que sigo, me levam direto a você. Me pego sentada na calçada de frente pra sua casa, os fones de ouvido no máximo tocando uma lista infinita que compõem a nossa história, fazendo com que eu fique completamente paralisada no tempo. Como se nada tivesse de fato, chegado ao fim (e não chegou/chega pra mim), como se eu estivesse sentada ali, apenas por ter perdido as chaves. Isso tudo é tão complicado pra mim. Você nem mora mais lá, sequer sei agora do seu paradeiro, e continuar vindo aqui me deixa tão, tão... puta comigo mesma! E o mais estranho nisso tudo, é que mesmo sabendo que não está, ainda assim puta de ódio, assim que piso nessa maldita calçada, assim que encaro os vidros embaçados de poeira e caminho por esse quintal abandonado e repleto de folhas mortas, me sinto viva! Consigo voltar no tempo, me vejo correndo de você, te vejo sentado na varanda com um livro qualquer e um cigarro meia vida entre os dedos, nos vejo jogados no gramado olhando o céu numa dessas noites quentes de verão, observando a lua e as estrelas. Em um daqueles momentos que sequer ousamos interromper um o silêncio do outro. Naqueles momentos em que dávamos as mãos e em sincronia respirávamos acompanhando somente as batidas do coração.

Eu juro que tentei... Eu tentei abandonar os velhos hábitos, eu até comecei a frequentar novos lugares na esperança de que pessoas diferentes e estilos diversos me fizessem despertar outros interesses. Mas era/foi/é em vão. Coisas diferentes me despertavam/despertam uma vontade absurda de contar a você detalhadamente o que "aquela novidade" me fez/fazia/faz sentir. Canções diferentes me despertavam/despertam o interesse de saber o que você acharia depois de ouvir. Os novos romances que li, os novos vídeos que editei, os filmes que assisti, todas as imagens que salvei em sites por ai, tudo, sem uma exceção sequer, me levam diretamente a você. Eu não sei mais o que fazer, nem para onde ir. Tudo que eu faço na tentativa de te esquecer, me fazem pensar ainda mais em você. Eu não tenho paz, eu não consigo encontrar maneiras de fazer com que você desapareça dos meus pensamentos. Já procurei por ajuda profissional, já comecei e interrompi tratamentos. Já queimei tudo que tinha teu aqui. Eu quebrei a casa inteira, mudei a cama de lugar, destruí aquela maldita banheira. Tirei tudo da reta que podia e me fazia/faz lembrar você. E quando por fim, não restava mais quase nada dentro de casa, quando me deparei com os cômodos todos quase livres de todo e qualquer objeto ou móvel que poderia me remeter a você, foi que me dei conta... Eu posso queimar, jogar fora, mudar tudo e qualquer coisa de lugar. Eu posso deixar de ver filmes românticos, não mais ler livros, destruir os fones de ouvido, tatuar qualquer coisa por cima de todas as tatuagens que já fiz, mas nada que eu faça por fora na tentativa desesperada de te esquecer, ira apagar/tirar/sumir/arrancar você daqui... De dentro de mim!
Por. Bell.B

6 de novembro de 2013

Por onde você tem andado?



Foi difícil acordar hoje de manhã?
Talvez você seja mais um entre os que negociam minutos a mais com o despertador.
Sair da cama cambaleando, tentando organizar os pensamentos para iniciar a rotina de todos os dias. Seguimos, resignados, o roteiro da “vida real”, sabendo que não nos resta outra escolha a não ser assumirmos nosso papel na sociedade, nos esforçando para correspondermos às expectativas do chefe, esposa, marido, filhos, amigos…

Mas, e você, o que espera?

Construímos nossas vidas sobre estruturas que já estavam aqui, afinal, todos fazem a mesma coisa sempre, certo?  Acreditamos que não nos resta alternativa a não ser simplesmente aceitá-las. Vestimos os uniformes, seguimos as regras, nos adequamos às demandas, muitas vezes suprimindo o que de fato nos habita.

Por que estou falando isso agora?

Talvez para lhe questionar se esse caminho, esse que você está agora, é realmente o seu caminho. É nele que você gostaria de estar? Isso tem a ver com você de verdade? Essa é SUA vida? Infelizes os que constroem seus dias a partir das necessidades financeiras, de medo ou culpa, preenchendo todas as suas ambições pelo desejo do reconhecimento alheio. Um dia você foi “ligado na tomada” e apareceu por aqui. Sem nenhuma consciência, foi gerado e cuidado para que chegasse até esse instante. Todos os seus caminhos te trouxeram para o hoje, para essa tela de computador, para esse lugar, nesse dia, nesse segundo e, saiba, foi você quem quis assim.

E agora? Para onde irá? 

Não me refiro exclusivamente a navegação pela net logo após ler/ouvir esse texto, mas, também: o que fará com o que está lendo? Como a maioria das mentes atuais, a sua está sobrecarregada de informações, mas qual delas guardará por considerar relevante? Será que você não está programado para arquivar apenas o que contribui para a manutenção do que já está?
É você quem determina para onde vai a partir de suas escolhas. É você quem escolhe. Você!
São suas prioridades que revelam que tipo de coração tem. Talvez você não veja agora outros caminhos. É possível que queira mudar algumas coisas, mas nem saiba como.
Preste atenção. Isso vale para absolutamente tudo: os caminhos- todos eles- existem em você.
Aí dentro vivem todas as possibilidades que te transformariam em qualquer coisa.

A única questão é: você vê?

São seus olhos que iluminam seus passos, que definem o que você consegue enxergar. A luz que sai deles é a que habita seu coração. Seus caminhos revelam quem é você.

Então o que você precisa mudar?

Independente do que seja, comece pela mente. Nada mudará de verdade se antes você não mudar sua mente. Alimente-a com o que faz bem. Sorva bons pensamentos, olhe por outras perspectivas, ouça boa música, leia bons livros, tenha pensamentos construtivos, enxergue o lado bom das pessoas, se há bons pensamentos, que habitem seu interior, abra mão da auto- vitimização deixe de adular seus traumas, fique perto de quem agrega, de tudo que construa um ser humano melhor e principalmente: perdoe, perdoe-se, livre-se do gigantesco peso da mágoa, da vingança, do “justíssimo”, seja ele de que natureza for. Se seu interior for bom, seus olhos também serão e, consequentemente, seus caminhos também. Dificuldades e dores todos temos, mas quando você está em paz, o choro não significa desespero. A dor não tangencia caminhos, a escassez vira apenas contratempo, oportunidade para amadurecer.

Quer repensar seus caminhos?

Então comece pelos caminhos que ninguém vê e que estão dentro de você. Mude sua mente.
Fazendo assim, todos, absolutamente todos os seus caminhos refletirão aquele que antes mudou em você. Não existem fórmulas mágicas, não sei quantos passos para não sei o que, ou qualquer outro ritual que substitua o fato de que seus caminhos refletem quem você é. Antes de mudá-los, mude sua mente... Você só precisa perceber. 
Por. Flavio Siqueira